segunda-feira, outubro 02, 2006

Trincadela na Arrábida

Desta vez, juntamos o grupo para um passeio na Arrábia aconvite do Luís e outros amigos.

O Parque Natural da Arrábida, é um espaço natural de grande valor paisagístico e biológico e de grande importância social na península de Setúbal. A sua criação, "... visou proteger os valores geológicos, florísticos, faunísticos e paisagísticos locais bem como testemunhos materiais de ordem cultural e histórica.
O valor da fauna e flora marinhas da costa arrábida foi contemplado através de uma Reserva Marinha contígua. Na zona do cabo Espichel a protecção visa as arribas marinhas, espécies vegetais endémicas, a nidificação de aves e a preservação de icnofósseis".
Não é fácil ficar indiferente à beleza da serra, pelo que a expectativa era grande.
Começamos o passeio em Vila Nogueira de Azeitão, onde o nosso amigo Tiago (que já se veste como um profissional) resolveu abastecer o cantil. Nesta altura estava ainda a pedir o suplemento energético...

Outra grande surpresa foi a presença do maior e melhor ciclista que conheço, o Nuno, que nos brindou com uma aparição inesperada, mas que espero se repita mais vezes. Ainda por cima está atento às explicações dos "experts". Neste caso o Rui, que nos apontava os limites da "sua" propriedade, muito bem vigiada como se pode ver.

De uma coisa não nos podemos queixar. Falta de espaço para pedalar não havia, os caminhos eram largos e espaçosos onde ninguém se atrapalhava ... bom pelo menos parecia.

Também havia espaço para voar e caminhos apertados e esburacados ... enfim tudo o que é preciso para um belo dia de btt (continuo a achar que falta a chuva).

No final apanhei estes dois a escolherem o canto para a Feira Popular ...

O diálogo era este.

JT - Ali estava bem. Punha ali uns taludes corrigidos com tela adesiva, espalmados com gabiões de pedra castanha e encimados com estacas de zambujeiro ...

TR - Acho que sim, mais ou menos, e com um stand em cada ponta desta estrada com uma boa estratégia de marketing vendiam-se muitas entradas ....

Felizmente apareceu o André e com o juizo que se lhe conhece apontou-lhes o caminho ...


Não se esqueçam de ver mais fotos no blog dos Trinca Pedras.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Arrábida

É sempre um prazer voltar á Serra da Arrábida. Embora se possa sem querer encontrar o Black Peter a ser perseguido pela Daniel San em plena fenda.

Caos

do Gr. kháos

s. m.,
confusão de todos os elementos, antes de se formar o mundo;
grande desordem;
babel;
balbúrdia.


meus amigos, nunca vi tal coisa.

domingo, setembro 24, 2006

Volta ao concelho de Mafra 2

Bom, ontem foi de arromba.
O tempo espectacular, fresco e sem chuva esteve extraordinário para pedalar sem stress (é certo que quem ficou para a tarde, isto é para os 100km, apanhou chuva a sério, mas também o que é uma chuvinha para quem se mete a fazer a volta completa).
Como esperavamos, uma multidão. No meio de tantos adeptos do BTT até nós passávamos por experimentados praticantes, do mais alto gabarito. E esta imagem manteve-se pelo menos até chegarmos à Tapada de Mafra.
As conversas enquanto esperávamos a partida oficial eram fantásticas. Ele era o quadro de carbono de xxxx euros, ele era os pneus tapioca do Nelson, os calços verdes fantásticos do Luis, etc, etc. Conversa muito técnica que para não aborrecer não transcrevo na integra.

A Tapada deMafra está magnífica. Os vestígios dos fogos do passado começam finalmente a esmorecer, e as primeiras chuvas de Outono pintaram-na de cores vivas e alegres. Ainda por cima os trilhos são largos e permitem um autêntico passeio a disfrutar a paisagem. Um delírio.


As descidas no troço da tapada que estavam prometidas como sendo, no mínimo, divertidas, mostraram estar á altura, sobretudo do André que literalmente voava por ali abaixo. Quando digo voar, estou a falar a sério. O homem voa mesmo (vejam-no aí ao lado a levantar voo - parece o Harry Potter). Nós bem nos fizemos a ir atrás dele, masss é muita fruta. Numa das descidas lá fui eu atrás dele (sim, porque se ele faz eu também faço) e numa curva que o "bicho" fez a abrir, vi-me tramado e por um pouco não me enfiava pelo barranco abaixo. Lição nº 1 do BTT - deixá-los ir, que a gente já lá vai ter.

Só por este troço da volta ao Concelho, vale a pena fazer o passeio. O local de abastecimento, junto ao portão do Codeçal, bem situado permitiu ao Rui (para nossa grande vergonha e embaraço) dar a volta ao recinto atrás de um pequeno javali que se entretinha a aproveitar as maças que iam sobrando, apenas para chegado ao pé de nós dar de caras com a família toda do pobre bicho. Nós também tivemos um encontro imediato com um exemplar da família dos suínos, mas vinha na travessa e foi no Palácio dos Leitões em Negrais.



E pronto acabámos. Não - diz o chefe - vamos fazer mais 25 km.
Pois claro, porque não, já cá estamos - dizem os outros.
E lá fomos nós alegremente enfrentar o segundo troço, que de acordo com a organização tinha um grau de dificuldade máxima. E se após a saída pelo portão do Vale da Guarda (que continuo a achar um sitio lindíssimo) até ao Gradil, os trilhos me eram familiares, a partir de certa altura tudo mudou. Subidas duras, descidas duras, tudo duro (sobretudo o selim da bicicleta que começava a fazer-se sentir).
Ao Km 35 fico sem o desviador da frente. Azar. Não há nada a fazer e continuo. Já era duro, mais duro ficou.
Ao Km 38 fico sem a perna esquerda, isto é dá-me uma caimbra terrível pelo que fiquei agarrado à perna aí uns dez minutos. Mas com um ar de felicidade para espanto de quem passava e perguntava se estava tudo bem, porque a máquina partiu antes de mim. Foi a primeira vez que ela cedeu primeiro. Parece pouco mas é uma grande vitória pessoal.
Até Mafra tratou-se de ir contando os kms que faltavam, algumas subidas com a bicicleta a pé, muita concentração no final e muitos incentivos entre quem nos acompanhava.

A chegada ao Parque Desportivo de Mafra, foi apoteótico. O computador marcava 48,8km em 4h02min e uns pózinhos. Entramos no estádio precisamente na altura em que o speaker de serviço avisa que acabavam de entrar os primeiros dois participantes dos 100 kms. Espanto, surpresa e toca a acelerar para não sermos dobrados. Ainda levantei a mão com o V de vitória mas não fui nada convincente. Os moços vinham frescos, como se tivessem acabado de começar, e tiveram tempo de mudar de roupa, sim, porque os homens apesar de terem as bicicletas cheias de lama, tinham os jerseys vermelhos da Motovedras imaculados, acabados de sair da prateleira. Fizeram uma média de 25Km/h. Eu nem os imagino a andar. É outra dimensão.

Quanto a nós só me falta agradecer a amizade e o companheirismo da malta: João, Luis, André, Rui e Nelson, e ficar à espera da próxima.