terça-feira, janeiro 16, 2007

Oxalis pes-caprae L.

Esta pequena planta é uma bem sucedida invasora! Podemos vê-la praticamente por todo o lado, nomeadamente espaços e incultos agrícolas, formando densos tapetes verdes, polvilhados de belas flores amarelas que criam um impacto visual de grande beleza.



São plantas bolbosas (geófitos), pelo que a sua presença se torna evidente a partir de Dezembro, florindo continuamente até meados de Maio.



É uma planta, originária da África do Sul, de introdução bastante antiga (talvez para ornamentação de jardins) que produz inúmeros bolbilhos, que se fragmentam e que constituem o principal meio de dispersão da planta. Estes bolbilhos são dispersos quer por acção mecânica provocada por máquinas agrícolas, quer por acção de roedores.



Apesar de muito visitadas por insectos polinizadores, eu pessoalmente, nunca vi indicios de reprodução sexuada.



As plantas da família contêm grandes concentrações de ácido oxálico o que lhes confere um sabor amargo/azedo muito apreciado. A designação do género Oxalis deriva do grego OXIS - ácido.


Os miúdos, e julgo que a maioria já experimentou, chupam os pecíolos das folhas deliciando-se com a acidez do suco. Refira-se que em grandes quantidades pode provocar toxicidade.


Para saber mais:

  • Centro de plantas invasoras da Univ. Coimbra - aqui

  • Plantas da África do Sul - aqui

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Pescanova - Update

O jornal "Público" de hoje, num excelente trabalho, discute precisamente o ponto de vista que expus aqui, e que começa a ser demasiado óbvio para ser ignorado: leia o Público aqui



Algumas pérolas retiradas das peças:
"Na área do turismo, mas não só, os PIN passaram a ser encarados como uma espécie de "via verde" para destravar projectos parados por incompatibilidades com o ordenamento do território ou com leis ambientais." Que chatice....
"O responsável pela captação de investimento para o país sustenta que "a protecção ambiental não se deve banalizar, para os casos graves estamos cá para os ver" . E eu a pensar que sim senhor deviam ser tão banais, tão banais, que só pelo facto de serem banais já estavam contemplados na apresentação dos projectos. Que chatice ...

E não é que o Ministro do Ambiente dá uma entrevista. Afinal ele existe e é ouvido para estas coisas.

Fiquei bem mais sossegado, sobretudo por ler que o ICN (não é ICNB) é ouvido e emite parecer. Será que estes pareceres não podem ser consultados, onde estão as conclusões técnicas, quem foram os técnicos consultados, etc, etc... Que chatice de perguntas...

O "César"


Situado na Ericeira, é um dos melhores e mais afamados restaurantes da vila, que se dedica sobretudo ao marisco e peixe fresco.

Fica situado no extremo norte da Ericeira, na arriba sob o mar, permite comer deliciando os olhos com uma belissima vista sobre o oceano.
Em todo o caso mesmo que a bolsa não recomende a visita à sala de restauração, vale a pena visitar a cave onde se faz a venda de marisco vivo.
É quase como visitar um "mariscário", já que se podem observar praticamente todas as espécies de crustáceos e moluscos, explorados comercialmente no nosso país, num ambiente castiço, de grande originalidade e impacte visual.


Vale a pena a visita.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Pescanova

Ou eu me engano muito, ou a crise económica em que vivemos vai provocar um retrocesso, talvez de décadas, na forma como enfrentamos o problema dos impactos ambientais das actividades humanas no Ambiente e na Natureza.
Os argumentos, o show-off e os intervenientes têm sido sempre os mesmos.
  1. Num tempo de vacas magras a criação de 350 postos de trabalho (previstos, não reais) e a injecção de vários milhões de euros (altamente financiados pelo próprio estado - apoio de 45ME), permitem passar a imagem de alguém (normalmente um ou dois ministros) que trabalham arduamente para angariar investimento. Tem uma certa piada pois ignoram (e todos deixam que o ignorem o que acho fantástico) os despedimentos e encerramentos (estes bem reais) a acontecerem em simultâneo mesmo ali ao lado;
  2. O interesse público, definido unilateralmente pelo estado (este estado) e por agências de investimento que deixam qualquer ecologista, conservacionista (ou outro "ista" qualquer) de cabelos em pé e arrepiado com o que isto pode dar, já que se tornou regra, recorrer aquilo que deveria ser em si mesmo a excepção - Recorrer ao interesse nacional do projecto.
  3. A QUERCUS, que é normalmente chamada a dar publicamente opinião, não consegue sair dos mesmos argumentos estafados, passando uma imagem retrógada que só serve quem já tem tudo decidido e que permite, repito, que se digam coisas como"... O presidente da API, Basílio Horta, foi mais duro e afirmou que, “se seguissem o que a Quercus diz, não havia investimento em Portugal”. “A API protege o ambiente e não recebemos lições de ninguém nesse domínio”.
  4. O Ministério do Ambiente, esse, faz-se notar precisamente por não aparecer. Não existe? Não tem nada a dizer?

Vivemos numa época, com a sensação de que qualquer proposta de investimento, desde que garanta algo que se veja por parte do estado, ultrapassa tudo o que foi conseguido durante vários anos em termos de conservação da natureza.

E com este tipo de decisões, questiono-me sobre o porquê dos milhões gastos em avaliação de impacto ambiental de inúmeros projectos infraestruturantes, de urbanizações, barragens.

Eu sei que assim surgem coisas boas (o Parque Florestal de Monsanto é um bom exemplo) mas este tipo de processo de decisão, pensava eu, tinha passado à história. Se é para voltar a esses tempos. Devem existir por aí muitas saudosistas com inveja.

Mais informações sobre a Pescanova aqui:

http://www.asbeiras.pt/?area=regiaocentro&numero=37209&ed=09012007

http://dn.sapo.pt/2007/01/09/economia/unidade_pescanova_dificilmente_sera_.html

http://jn.sapo.pt/2007/01/09/centro/pescanova_rede_natura_e_entrave_para.html

ps. lembrei-me agora, ouvi no outro dia na TSF, o Macário Correia (como é possivel) dizer que se o governo queria fazer o que o Ministro da Economia propôs para o Algarve (mais campos de golfe) seria necessário ultrapassar muitos processos legais decorrentes dos instrumentosde planeamento do território. Quem sabe talvez recorrendo ao argumento do "Interesse Nacional".