segunda-feira, outubro 24, 2011

Algar da Arroteia

Diz que é um clássico. Seja como for, este é um daqueles destinos para os quais existe muita informação prévia. 
in Thomas, C. (1985) Grottes et Algares du Portugal.
Para além a descrição da exploração em Thomas, C. (1985), existem muitas fontes com fotos e textos (aqui exploração de um grupo inglês; aqui a génese do NALGA e até mesmo aqui). No seu conjunto permitem, alguma previsão do que se vai encontrar. A equipa era composto por cinco elementos, eu, o Nuno e Gonçalo (que se responsabilizaram pela equipagem - mais uma vez bem feita diga-se de passagem) e ainda o Tiago e a Silvia.

 


Mas mesmo com "croquis" e com companhia que repetia o algar, existem sempre novidades e até mesmo algumas surpresas. O poço de entrada tem 45 m de vertical directa até à base, desce-se em segundos (na subida parece não ter fim), e a base do poço impressiona pela verticalidade das paredes. Aqui a 45 m de profundidade, a presença de salamandras e de sapo comuns, apesar de aguardada, não deixa de espantar face à distância da superfície. Sobretudo para os Bufo bufo (aparentemente um casal).
A passagem no P15 seguinte impressiona pela presença de blocos entalados ao longo da parede do poço e que parecem estar em periclitante equilíbrio. Esta visão tornar-se-à uma constante em diversos locais da diaclase que percorremos. 
No final da sala do P15 a primeira surpresa.
O rio que corre normalmente neste local, que alimenta as nascentes do rio Lena, alguns km a Norte, estava parado. De tal forma que por mim teria seguido pela galeria da direita, já que de acordo com o que pude observar estava sequinha. Uma observação mais atenta mostrou que estava era cheia de água, tão limpida e imóvel, que quase não se percebia a sua existência ... só depois de lhe colocar um joelho em cima.

Meandro de acesso à cascata
Neste local tivemos a primeira surpresa. Quando descemos, aproveitei para desenhar a base do poço. Pasme-se que as minhas leituras da bússola são exactamente opostas à que consta na planta do Thomas. Existem duas hipóteses: 1ª o desenho no Thomas tem o Nm invertido; 2ª eu não sei ler uma bússola - nenhuma delas é fácil de aceitar e as implicações de qualquer uma delas são mais ou menos sérias, por isso fiquemo-nos por agora pela segunda hipótese, mas prometo que quando lá voltar não deixo esta questão por esclarecer. O facto é que para orientarmos correctamente a planta temos de a inverter no local. Só depois de alguma polémica é que ajustamos o desenho ao que observávamos no local.
Polémicas à parte enfiamo-nos pelo meandro que acede à cascata, que tinha água em poças límpidas (que diferença em relação ao Mindinho) e que não colocava quaisquer dificuldades na progressão. Deve ser engraçado passar ali com um volume de água maiorzinho.
Detalhe da galeria fóssil.
No cimo da cascata escolhemos a galeria que corresponde à ribeira fóssil, (a bem dizer ninguém deu pela passagem à direita, à mesma altura e que dá acesso à galeria fóssil mais pequena) que percorremos em toda a sua extensão, até à sala que implica a execução de uma pequena escalada (. A galeria é linear e as passagens mais ou menos fáceis de encontrar e transpor. Um estreitamento antes da sala da escalada pareceu-me um dos apertos mais difíceis. Foi aí que a equipa se partiu. O Tiago não se sentiu à vontade para forçar a passagem e nós decidimos não prolongar a exploração do outro lado, deixando-o sozinho à nossa espera.
Neste local a diaclase é bem generosa. São pelo menos 3 m de largura e uns bons 15m de altura de paredes lisas e muitos blocos, de grandes dimensões, entalados em vários níveis. De acordo com o Gonçalo, esta sala pode tornar-se um lago com cerca de 80cm de altura. Mais uma razão para lá voltar.

Progressão na galeria fóssil
A escala da planta do Thomas é outro problema. As galerias perdem muito detalhe no desenho. Pelo menos a zona central merecia um desenho numa escala menor, se é que já não existe. Mas agora, depois de lá ter estado, percebe-se melhor o texto, sobretudo onde procurar a passagem para a outra galeria fóssil.

Já não fizemos a descida da cascata e muito menos a exploração da galeria activa. Esta ultima, pelo facto de a ninguém apetecer uma molha depois de seis horas em gruta, nem que fosse para perturbar as águas.

Por isso fomos logo para o calvário da subida. Eu que pensava já ter a técnica dominada, tive de rever a minha opinião. Não domino nada! Fiquei super surpreendido pela elasticidade da corda. Não estava mesmo nada à espera de tanto balanço e usá-lo a meu favor é coisa que ainda não está ao meu alcance. Por isso os primeiros 10m foram um suplício em que a sensação de não sair do sitio era mais forte do que a sensação de estar a subir. Mas cheguei ao topo, saí e ... esparramei-me logo pelo chão com as pernas e os braços aos gritos a recuperar do esforço. Da próxima vez corre melhor.

Uma visita a repetir.

sexta-feira, outubro 21, 2011

Antropoceno

Muitas vezes questionamos o nosso impacto no planeta. Discutimos, apaixonadamente, o que fazer e como o fazer de forma a deixar algo que sustente quem nos seguirá, mas seguindo a máxima que diz que uma imagem vale mil palavras, julgo que não é possível ficar insensível ao trabalho apresentado em Globaia: Creation of educational materials for a global citizenship

Um festim comunicacional de grande qualidade. Explorem!


terça-feira, outubro 18, 2011

Ibn Ammar

"A Leitura
Minha pupila liberta
Quem da página é cativo:
O branco, da margem certa
E da palavra, o negro vivo."

Ibn ' Ammar al-Andalusi, poeta árabe de origem Algarvia (S. Brás de Alportel, Estômbar ou Silves de acordo com as várias fontes - aqui, aqui ou ainda aqui por exemplo) viveu aventurosamente no Gharb Al-Andalus cerca de um século antes que se falasse de Portugal.
Como é que o seu nome aparece ligado a esta gruta não sei. Talvez a proximidade de Estômbar (uma das referências como local de nascimento) seja a razão. Se estiverem interessados este documento da Arkeotavira, apesar de não referir a gruta faz um belo retrato da época.


Seja como for, Ibn Ammar é o nome de uma gruta, fantástica, localizada na margem direita do estuário do Rio Arade, onde o rio expôs uma falésia de calcários do Jurássico, a que a AESDA tem dedicado alguns anos de trabalho com vista à realização e publicação de uma cartografia detalhada (a publicar no Trogle).


A primeira grande surpresa desta gruta é a sua localização. A proximidade do estuário, a influência da das marés e a entrada a uma cota baixa, deixa antever a presença de água. Mas nada nos prepara para a sala que encontramos depois de percorrermos alguns metros numa galeria tubular.

A sala do lago é uma catedral! Eu sei que com o tempo hei-de ter a oportunidade de ver coisas ainda mais imponentes, mas, para já, esta sala encheu-me as medidas. Andar naquele lago sem receio de afundar na lama do fundo, confiando que não existem poços e ou depressões é um exercício de confiança que ombreia com todos os que os cursos de interacção entre pessoas possa inventar. Daí o facto de em algumas ocasiões fugirmos para as paredes laterais da sala. Só para não afundar muito.

Mas o ambiente é fantástico, pois a sala tem umas dimensões bem razoáveis, com espeleotemas abundantes, em que o som do marulhar da água ecoa com suavidade. Já o mesmo não se pode dizer das conversas e gritos do pessoal, 14 espeleólogos, muitos estreantes em Ibn Ammar e todos superdivertidos pela experiência. Não há nada como uma piscina natural para que se liberte a nossa aptidão natural para nos tornarmos crianças.
Foi uma boa demonstração da capacidade mobilizadora da AESDA.

Estalagtites até à água...

Ou água até ao tecto?

Preparados para a desobstrução
Para além da topografia, fez-se também uma tentativa de desobstrução que apesar de não ter dado resultados imediatos, serviu-me para ampliar a experiência em gruta. O trabalho lá em baixo é de facto cansativo. Muito cansativo. Mas é uma boa maneira de mandar fora as energias acumuladas.
Podem ver outras fotos da gruta de Ibn Ammar aqui (portfolio de fotografia do Rui Mergulho, um dos elementos da AESDA).

segunda-feira, outubro 10, 2011

Este mundo ainda tem muito para dar ...

Não acreditam? Basta mudar a perspectiva de visão e o que se vê é estonteante. Vejam todas as fotos do Nikon Small World aqui e deliciem-se.



sexta-feira, setembro 30, 2011

Algar do Moinho de Pau e BMs, Montejunto

Montejunto é como aqueles livros e filmes que temos na cabeceira da cama, que estão sempre disponíveis quando não existe outro programa mais exótico.
A serra possui um conjunto muito interessante de cavidades e de vez em quando divertimo-nos a explorar e a espreitar buracos, sempre que obtemos coordenadas novas.

Desta vez o programa incluía a descida do Algar do Moinho de Pau, um "bis" e que se revelou a vertical mais fácil que já fiz. Mesmo com desviadores e protectores de corda a meio, foi a primeira vez que fiz uma vertical ficando com a sensação de que estava capaz de continuar por ali fora. De facto, como em tudo, a prática é a melhor maneira de adquirir competência.

O Algar tem um poço de entrada de cerca de 30m (talvez menos ...) quase directo (é necessário colocar um desviador), que nos deposita no cimo de um cone de detritos de grande dimensão. Podemos circular por uma sala de dimensões razoáveis mas não existem grandes desenvolvimentos nem espeleotemas para observar.

Os Buracos Mineiros (BM1, BM2 e BM3), situam-se perto de ..... Já os tinhamos visitado anteriormente com resultados muito diferentes: O BM1, que até tem uma escada para se aceder ao seu interior (e uma geocache) foi explorado em todos os seus recantos. O BM2 só deu para espreitar, já que era sempre a descer e sem o conhecermos achamos melhor não nos aventurarmos mais. O BM3 não o encontramos.

Desta vez levamos reforços, o Gonçalo e a Sofia, da ...... que conheciam bem quer o desenvolvimento do BM2, quer a localização do BM3.

O BM2 é uma galeria estreita de desenvolvimento vertical, sinuoso, que se desce muito bem, em toda a sua extensão, em oposição. Desemboca numa sala com argilas à profundidade (estimada) de 40m e fornece um bom exercício de contorcionismo.

No BM3 deixei pele, literalmente. É uma cavidade pequena, com um desenvolvimento de 12m e não mais de 6m de profundidade máxima. Após a entrada, possui uma passagem bem estreita (baixa), que o Nuno (eheh) não conseguiu ultrapassar e que eu, com a ajuda da nossa amiga gravidade, passei bem.
O pior foi a subida. Deitado de costas, com o nariz a tocar o tecto, sem capacete, com o Tikka de reserva, não conseguia encontrar a geometria exacta para fazer passar o tronco. Como as pernas (e o resto) não podiam lá ficar, decidi após quase meia hora de stress, voltar para baixo e despir o fato.
Foi remédio santo. Aqueles mm a menos no peito foram suficientes para passar à primeira. Mas esses mesmos mm fizeram-me muita falta nas costas. O resultado são umas belas escoriações.


BM3. As pernas já passaram ...

BM3. Na sala terminal, revestida de calcite coralóide

BM3. Detalhe das formações na sala terminal.

terça-feira, setembro 27, 2011

+ 20s de Quinta Pedagógica dos Olivais

Rotinas matinais.

O engraçado é que depois achei que eu faço o mesmo todas as manhãs. Abrem-me a cancela e ai vou eu ...






quinta-feira, setembro 15, 2011

Gruta do Ralis

No contexto das grutas e algares que tenho visitado, até eu, inexperiente, sou tentado a desconsiderar aquelas que se consideram mais pequenas ou menos profundas. No entanto sei perfeitamente, por experiência própria, que são estas as que nos marcam mais por se tratarem de primeiras explorações e acabarem por traduzir as primeiras experiências sérias de adaptação ao meio subterrâneo.
Estão neste caso as do Planalto das Cesaredas a que dedicamos alguns dias a explorar algumas referências que obtivemos de várias fontes. O GPS, leva-nos mesmo ao spot (ou não ...) e entre as que visitamos com interesse a do Ralis deu-nos umas passagens bem engraçadas.
Na primeira visita, com o tempo contado, fizemos uma sequência de galerias e salas que nos levaram até uma sala terminal a que chamei de Psico Chicken devido à forma da rocha que se encontra no centro da mesma.
Na segunda visita tínhamos levávamos na cabeça a informação adicional de que seria possível percorrer a gruta de uma forma circular. Não, não temos nenhum "croqui" da gruta ... não sabemos se existem, não sabemos quem os poderá ter e também ninguém divulga informação sobre isso. Se existem estarão na gaveta de alguém.
Psico chicken
Na segunda visita, iniciamo-la através de uma passagem existente na sala de entrada e que se desenvolvia no sentido oposto à que exploramos da primeira vez, e de facto, quase sem querer, descobrimos uma pequena passagem que nos levou à sala da "psico chicken"  onde tínhamos terminado a exploração na primeira visita.

A entrar na Psico Chicken




Ficamos com a sensação de que a gruta tem duas metades bem distintas. A 1ª de galerias baixas e estreitas, com muitas passagens apertadas. A 2ª de galerias altas, perpendiculares, seguindo as diaclases e com água suficiente para criar algumas poças em diversos locais.
Uma pequena (?) gruta a revisitar.






segunda-feira, setembro 12, 2011

Mindinho II

Mais uma visita ao Mindinho, desta vez para auxiliar o Mendes na passagem de um sifão no final das galerias exploradas nas anteriores visitas.
Carregar aquela quantidade toda de equipamento através das galerias não é fácil, mas aquilo é quase como um parque de diversões aquáticas. E esta é, ou pelo menos parece-me, uma gruta pequena em extensão (365m na topografia publicada acrescidos dos cerca de 200m percorridos percorridos entre o S7 e o S8).
Os lagos sucedem-se, bem como as cascatas em poços de altura diversificada, muita argila depositada em sifões e remansos, calhaus rolados em zonas de maior hidrodinamismo e algumas áreas de rocha nua e de arestas afiadas pela força da água. Muito , mas mesmo muito divertido e interessante.
As fotos seguintes são da primeira visita em que participei.
Antes. da esquerda para a direita: A. Mendes, N.Rodrigues, M. Costa, João e P. Rodrigues

Ali trabalha-se. Colocação em carga do tubo que iria retirar a água do sifão (S7) permitindo a passagem em seco nas visitas seguintes.

Galeria inundada no S7. Foi mais ou menos assim que a passamos depois de retirada a água.
Depois .

quinta-feira, setembro 08, 2011

Mindinho

Topo in NALGA
O convite chegou, inesperado, mas aceitei-o imediatamente (obrigado Paulo, obrigado Nuno). Tratava-se de acompanhar um grupo que tem participado activamente na exploração de diversas grutas e algares e que precisava de ajuda no apoio a uma equipa de mergulhadores para uma exploração na gruta do Mindinho. Para além do equipamento usual disseram-me para levar o fato de mergulho.

E só posso dizer que foi um espectáculo. E que me preparo para a terceira visita.

A gruta não é grande, mas é suficientemente desafiadora para que a tenha abordado com todos os cuidados. A primeira, realizada no dia 20 de Agosto, foi para mim uma estreia neste tipo de cavidades. Muita água e muita lama tornaram-na mesmo uma estreia fantástica.

O objectivo desta visita era verificar o estado dos sifões que tinham sido entretanto esvaziados e drenar um novo sifão após a respectiva exploração pelo mergulhador (o S7 no topo anexo - original aqui). A progressão foi fácil, mas logo no inicio, na travessia de uma galeria bem baixa (S1 - um antigo sifão, agora vazio) a lama fez a sua gloriosa aparição. Perdi logo ali qualquer esperança de me manter seco e limpo ... 

Na passagem do primeiro poço (um P8), desci directamente para um pequeno lago. Foi interessante já que como não vi por onde seguiram os colegas que me antecederam, saí da corda mesmo no meio do lago e tive oportunidade de perceber que tem cerca de 1,30 de profundidade (bendito fato de mergulho). É claro que havia forma mais fácil e menos molhada, porque lateralmente existiam umas pedras submersas que permitiam atravessá-lo sem o mergulho. Serviu de praxe...

A gruta terminava no sifão que se pretendia ultrapassar. O mergulhador (António Mendes do NEUA) fez a exploração trazendo notícias de várias dezenas de metros de galeria seca depois do sifão, pelo que os olhos de todos brilharam com a expectativa.

A visita de 3 de Setembro teve como objectivo ultrapassar este obstáculo e explorar/cartografar as galerias seguintes. Desta vez fui integrado numa equipa liderada pelo Orlando Elias que tinha como função seguir bem rápido até ao sifão (desta vez não mergulhei no poço) ultrapassá-lo e explorar as galerias seguintes preparando-as para a equipa que iria realizar os levantamentos topográficos.

O sifão tinha enchido e tínhamos 10/15cm livres acima da linha de água na galeria . Mais uma estreia. Mas a sensação de passar para um local que muitas poucas pessoas tiveram o privilégio de pisar, a sensação de estar a contribuir para a exploração de um espaço que se tem mantido inacessível ultrapassa tudo. Não descrevo mais acerca do que vimos mas recomendo vivamente que para acompanharem a descrição dos trabalhos, com a cartografia e a lista de todos os participantes nestas visitas leiam o site dedicado a este tema no blog do NALGA.






sexta-feira, julho 29, 2011

Trovoadas

Existem algumas técnicas e procedimentos que minimizam o risco associado a trovoadas, embora esse esteja sempre presente. Este artigo no Adventure Travel da National Geographic deixa-nos uma lista de alguns desses procedimentos. Muito boa leitura.
 
Vem este post no NG a propósito pois faz hoje sensivelmente dois meses que, enquanto desequipávamos a boca do Algar do Moinho de Pau em Montejunto, fomos surpreendidos por uma trovoada das valentes. Para além da chuva forte e intensa que se abateu sobre nós, os raios não paravam de nos impressionar e tivemos um grande susto quando fomos brindados com um belo "light and thunder" mesmo ali ao lado, suficientemente perto para abanarmos. Julgo aliás que foi a minha pior experiência com trovoadas desde que faço "trabalho" de campo.

Estava num dos topos da serra, não existiam abrigos, estávamos carregados de equipamento metálico, o carro estava muito longe ... enfim, mau, muito mau, mas ao mesmo tempo uma experiência fantástica. A esta distância, penso que resolvemos bem a situação.



quarta-feira, julho 27, 2011

Algar da Marradinhas II

Visita - 23 de Julho 2011
Folha 318 IGE ed. 2004 - Mira de Aire (Porto de Mós)
Coordenada -


Equipagem: 1 Corda de 30m - poço de entrada e apoio até à galeria; 1 Corda de 80m - poços sucessivos no Meandro, sempre com AN.

O Algar da Marradinhas II tem fama de algar vistoso e realmente temos de dar a mão à palmatória. Tem inúmeros aspectos a observar, uma dimensão bem razoável e um estado de conservação muito bom.Tudo junto teve como consequência que a sua exploração forneceu-me mais um record. O meu maior tempo de permanência no interior de um algar. Está agora em cerca de 8h.
O Nuno na saída do algar
O Algar não exige tanto tempo para a exploração completa, mas eu ainda estou a adquirir competência e mobilidade na exploração, pelo que gastamos muito tempo na equipagem e na exploração propriamente dita. Isto é, andamos a aprender e sem pisar o risco em termos de exigência técnica e física.

A entrada do Algar é mais agreste que a do "Zé de Braga". A ausência de vegetação arbórea e arbustiva a protegê-lo, bem como a sua reduzida dimensão devem ser as razões pelas quais não se observaram anfíbios no seu interior). Se para estes simpáticos animais a entrada (acidental) no algar é difícil, para nós também deu algum trabalho. Refira-se que fizemos a entrada mais fácil. Evitamos o P19. Para dizer a verdade, mesmo não contando fazer a sua descida, não demos com o acesso ao seu inicio no final do P6 de entrada, isto apesar de levarmos connosco o croqui do algar publicado por Fernandes, J. e Canais, F. (1999).
Montamos o campo base na Sala do Refeitório e fizemos a partir daí 3 raids: Para Oeste a Sala Grande; para Este as Salas dos Cristais, Tubiformes e Galeria das Argilas; e para Norte o Meandro.

Pelo meio um belo almoço, com muita água (e não só) e um belo café quentinho que, apesar do aspecto manhoso dos grãos, soube melhor que todas as bicas da ultima semana. Grande ideia Nuno!

Espeleotemas: Maças
Na Sala Grande, avisados pelo erro de interpretação do croqui no Algar do Zé de Braga, gastamos muito tempo a descobrir a passagem para um nível de argilas no final da sala. Existiam inúmeras hipóteses, mas a que nos pareceu mais fácil obrigou-me a, pela primeira vez, espalmar-me sobre uma passagem de argilas de tal maneira que sujei o meu "rodcle" novo todo (não se faz). Mas a passagem revelou-se bem interessante, pois no seu final, aprecia um gour cheio de água e um gour fóssil com umas formações super interessantes (ver foto). Ainda não tinha estado num nível colmatado por argilas. Fica-se com uma ideia muito diferente sobre o que é a "terra rossa".

O Meandro é um paradoxo. Os primeiros níveis apresentam paredes concrecionadas, lisas, com um crescimento bem activo. O nível mais baixo apresenta um calcário em dissolução forte, com fendas profundas, arestas muito vivas e intimidantes. Não exploramos na sua totalidade esta parte do Algar, o Nuno ainda desceu o ultimo poço identificado no croqui, mas não avançou para as ultimas galerias. O tempo esgotava-se, os 90% de humidade já se faziam sentir e apesar de uns frescos 17C o cansaço instalava-se e, "last but not least", o meu frontal resolveu entrar em greve (mais um erro - as pilhas suplentes ficaram no refeitório) na precisa altura em que o Nuno descia o ultimo poço. Mudei para o frontal de reserva, mas o principal voltou a trabalhar a meio da ascensão. 

Este é um algar que merece de facto uma visita. Nós decerto voltaremos pois ficaram alguns aspectos por observar e algumas galerias por explorar


Aspecto do exterior na boca do algar. Olival bem aberto.

Espeleotemas: derreteram a couve flor ?



sexta-feira, julho 22, 2011

Grutas e Algares visitados

A exploração de pequenas cavidades surgiu por brincadeira, mas tornou-se rapidamente, como é meu costume, na minha principal actividade e as saídas de campo têm-se multiplicado. Existem muitas razões para gostar: longos percursos pedestres em áreas naturais; utilização de técnicas de progressão com cordas; fotografia; observação de fauna e flora, etc, etc...

Este post lista as cavidades que já visitei:

Montejunto

Algar do Javali
Algar do Escorpião
Algar das Fontainhas
Algar das Cabras
Algar do Moinho de Pau
Gruta dos 3 Moinhos
Gruta do Ralo

Planalto das Cezaredas

Gruta do Moleiro

Visitas: 10 de Junho 2011; 02 de Julho 2011
Grutas dos Ralis
Visitas: 10 de Junho 2011
Gruta dos Alfaiates
Visitas: 12 de Junho 2011

Serra d'El Rei

Algar de Bolhos

Maceira/Vimeiro

Gruta da Cova do Texugo
Gruta da Cova do Urso
Lapa do Sapateiro

Lapa da Rainha

Serra de Aires e Candeeiros
Algar da Bajanca
Algar dos Picos
Algar do Zé de Braga
Visitas: 16 de Julho 2011

quinta-feira, julho 21, 2011

Algar do Zé de Braga

Visita - 16 Julho 2011
Folha 318 IGE ed. 2004 - Mira de Aire (Porto de Mós)
Coordenada - 29SND244708, Pias Largas
Corda - 30m; spits de 8mm e pernes de 10mm permitem uma boa diversidade de amarrações para uma descida segura.

Aspecto da entrada do algar
A AESDA realizou mais uma saída de campo com o objectivo de avançar um pouco na exploração do Algar do Palopes. Eu e o Nuno, que não participávamos directamente nessa actividade, decidimos continuar as nossas aventuras no planalto e fomos visitar o Algar do Zé de Braga, uma cavidade cársica que se encontra também no planalto da Serra de S. António, a Norte da povoação de Monsanto na zona do Vale do Pombo/Pias Largas.
A sua exploração foi uma grande surpresa. Pela descida vertical, um P17, fácil de aparelhar e de descer, pelo seu desenvolvimento horizontal, com salas de grandes dimensões, uma enorme diversidade de espeleotemas e pela presença inesperada de duas espécies de répteis na base da descida.

Cobra-de-escada
A entrada está protegida, por um maciço arbustivo de Aroeiras e Zambujeiros e por uma grade que é preciso saber vencer. A descida, de 17m, directa, dá-nos acesso a uma primeira sala, entulhada, com um cone de detritos, pedras, cascalho, muito material vegetal e, para além das nossas amigas Salamandras-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra), desta vez tivemos a companhia de uma pequena Cobra- de-escada (Elaphe scalaris) e de uma Cobra-rateira (Malpolon monspessulanus). A primeira, nitidamente afectada pela temperatura da cavidade apresentava uma mobilidade reduzida e conseguimos transportá-la para o exterior no final da subida. A Cobra-rateira, essa, depois de nos atirar com uns silvos, mostrou que apesar do local menos propício às suas actividades regulares, não estava ainda pronta para ser resgatada (típico de um dos ofídeos mais agressivos da nossa herpetofauna). Como pudemos ver, também pelos restos mortais de uma outra cobra (não identificada) este algar funciona "bem" como armadilha para répteis, já que estes são "visitantes" inesperados do mesmo. Foi também observado um Sapo-comum (Bufo bufo).

Face interior do açude do gour referido no texto
Munidos do croqui da cavidade, avançamos em direcção à sala grande, sala das excêntricas e sala das argilas e eu tive o meu primeiro "ooohhhhh", quando venci uma crista de lajes (caídas do tecto) muito concrecionadas e tive um vislumbre da dimensão da sala. Sempre são quase 60m de comprido com 10 de altura. Uma catedral portanto, com inúmeros detalhes para ver e explorar.
O que mais me impressionou foi um "gour", situado no lado esquerdo da sala, no seu ponto mais baixo. Não tinha água (não consegui perceber se definitivamente ou se encherá mais tarde), mas é o maior que já vi e deu para fotografar umas belas formações de cristais de calcite.

A sala das excêntricas é um mimo. Centenas de pequenas excêntricas, alvas, que crescem em todas as direcções e que permitem algumas observações muito interessantes.

Bolhas de calcite (?)
Na Sala das Argilas fotografei uns espeleotemas que desconhecia. Parecem umas bolhas de calcite (?), muito frágeis e que encontrei numa das paredes de acesso à sala. Talvez pelas fotos alguém me possa esclarecer o que são exactamente.

A exploração da cavidade é muito simples. Depois da descida do poço do algar não é necessário continuar a usar cordas e podemos libertar-nos do peso do equipamento colocado à cintura. Não existem ramificações, passagens apertadas e grandes problemas de orientação já que podemos seguir facilmente o croqui, existindo inúmeros aspectos geológicos que podem ser observados. Para um iniciado na espeleologia como eu, esta foi uma das cavidades mais interessantes que já visitei. Existe pois muito espaço e tempo para explorar e fotografar e áreas muito confortáveis para descansar se for necessário.
Mesmo assim estamos sempre a aprender e uma má avaliação do desenho impediu-nos de visitar a ultima sala. Por sinal a que exigia a transposição de uma passagem bem estreita, localizada num local onde parecia não existir nada. Como começo a perceber, nestes ambientes, por vezes devemos esperar encontrar passagens em zonas improváveis e não deixar tudo, mas tudo, sem uma espreitadela com olhos de ver. Quer isto dizer que teremos de lá voltar. Chatices.

Tubulares
Pormenor do tecto da "Sala das Excêntricas"








segunda-feira, novembro 10, 2008

Trucidados

Não tarda nada seremos de facto trucidados. O maior problema, é que a falta de jeito, escondida atrás de uma aura sebastiânica, está mais do que identificada e bem estudada.
Mas por certo quem faz essas análises faz parte dos "míseros" votos que não contam.
A insatisfação pela forma obtusa e incompetente como se mexe na administração pública, reforma-se, para usar o vernáculo politiquês que está na moda, deverá ir direitinha para os manuais de gestão. Como um caso estudo negativo e que deverá deixar graves amargos de boca para quem tiver de compor os cacos destas "reformas".
Podem ler aqui mais uma opinião que desmonta esta "má" opção na gestão da reforma, mas eu reproduzo aqui os pontos principais:

"(1) o discurso do combate aos supostos grupos de interesse assenta no pressuposto de que o oportunismo egoísta é o padrão de comportamento dominante nas organizações públicas;
(2) este discurso, sobretudo quando é vertido em sistemas de avaliação e de monitorização, tende a ter efeitos perversos: «os sistemas de gestão que pressupõem o oportunismo generalizado acabam por estimular o tipo de comportamento que visam combater»;
(3) a mobilização das motivações intrínsecas dos profissionais - por exemplo, na área da educação -, essencial para um bom desempenho, é bloqueada pela obsessão com o controlo burocrático por parte de quem não concebe a possibilidade da cooperação autónoma para atingir objectivos de interesse público;
(4) gera-se uma mentalidade dirigista que assume que o centro político tem todas as soluções e que se trata apenas de as impor com voluntarismo combativo de cima para baixo;
(5) o conhecimento dos profissionais é desvalorizado e não é incorporado no desenho das nova soluções."

No bom vernáculo português, trucidado traduz-se em " come e cala-te".

segunda-feira, novembro 03, 2008

Palavras leva-as o vento ...

"A verdadeira governância faz-se com base no conhecimento efectivo de um povo. A outra, a da ganância politica, pode ser feita sobre cenários e concepções teóricas, que levam ao proverbial desbaratar de dinheiro público em obras e equívocos que só servem quem os produz."

in: Governância.com
Pasmatório
(Vol. 2 / 2008, Fascículo 2 / Abril-Junho)
Teresa Almeida Pinto

Será que não há ninguem que faça vingar aquilo porque todos ansiamos. Uma verdadeira consciência colectiva, de responsabilidade social, que obrigue à prestação de contas de todos os actores , para lá da "simples" prestação de contas eleitoral.

sexta-feira, outubro 31, 2008

Imagens de outro mundo

O mundo natural (que redundância) é capaz de nos surpreender com imagens fantásticas. Não consigo quantificar a importância que fotógrafos de diversas nacionalidades tiveram nas minhas escolhas, mas consigo ficar abismado com a qualidade das fotografias, agora digitais, que nos enchem os olhos de espanto e admiração.
percorrer a galeria de imagens é um prazer visual. A inveja é muito feia, mas adorava ter tirado algumas destas fotos.

O primeiro prémio: