sexta-feira, junho 15, 2012

O verdadeiro Algar Azul

A propósito do nome atribuído ao Algar Azul, cuja desobstrução está em curso pelo GPS - Sicó e na qual participei durante a Festa da Espeleo, dei com este artigo, recente, do Espeleobloc  em que a verdadeira sala azul aparece aos 200m de profundidade. 
Nunca vi tal coisa (o que é normal diga-se) as formações são lindas devido à presença de hidrocarbonato de cobre  (malaquite e azurite), que ""tinge" as formações da sala com cores magníficas. Vale a pena ler todo o artigo, aliás vale a pena acompanhar todo o blog que é de uma riqueza impressionante.
Ainda em relação a esta sala, é certo que a profundidade exige muita experiência, mas também é certo que toda a informação necessária para desfrutar desta maravilha está ali disponível. Não se podia aprender com eles?

Foto retirada de Espeleobloc. La sala blava de la torca de Juanin. 14 de Junho 2012

quarta-feira, junho 13, 2012

Maços, martelos e baldes só nos faltou a branca de neve e ... os diamantes.

Humberto do GPS a explicar porque é azul ;)
Festa da Espeleo, Dia 1 de 4

Depois do soprador, depois de secarmos um bocado o fato ao sol, decidimos acompanhar outro grupo que iria realizar uma sessão de desobstrução no Algar Azul. Devo confessar que o nome engana um bocado e embora o Hugo Neves do GPS me tenha explicado o porquê ... fiquei a pensar que é mais para o ocre e barrento que azul.
Mas o facto é que (como percebi mais tarde) estas desobstruções têm sido de grande importância na exploração do sistema. Este algar, ainda pouco profundo, promete muito e percebe-se bem o investimento ali efectuado.

Lá em baixo trabalha-se com ganas.
Que me perdoem todos aqueles com os quais já andei a esburacar o chão mas, esta foi a desobstrução mais profissional em que me vi envolvido nesta minha curta carreira na espeleo. Tendas, martelos pneumáticos, um gerador e muita quinquilharia para cavar e sobretudo muito entulho no exterior mostravam claramente a intenção do GPS. Quando cheguei, já o Timóteo do CEAE-LPN e o Costinha estavam no fundo a preparar a desobstrução, uma vez que os trabalhos tinham parado num bloco que entupia uma pequena diaclase. Nada que o martelo pneumático não resolvesse. O resultado de todo este esforço foi de mais cinco metros em direcção ao fundo (atingidos num segundo dia em que já não participei).



Nada de diamantes!

1º Congresso de Fotografia Técnica em Gruta


O GEM, Grupo de Espeleologia e Montanhismo meteu-se em mais uma grande aventura: O 1º Congresso de Fotografia Técnica em Gruta.

Este evento que decorrerá em três momentos distintos: 21-23 de Setembro; 20-21 de Outubro e 15 de Dezembro de 2012 irá tornar-se, decerto, numa experiência fantástica para a maioria dos espeleólogos portugueses.

Podem consultar os detalhes do evento no site preparado para o efeito, aqui.

terça-feira, junho 12, 2012

Imersão no Soprador do Carvalho

Festa da Espeleo, Dia 1 de 4

Dia de viagem, de apresentações (és da AESDA, és do GEM, ficaram confusos os moços) e de imersão, literal, no sistema espeleológico do Dueça. Quase não houve tempo para respirar, já que logo após a montagem da tenda e antes mesmo de percebermos como seria o dia, ouvimos dizer "en passant" que iam montar uma escada no sector do Altar no Soprador do Carvalho.
Foi música para os nossos ouvidos e cinco minutos depois já estávamos prontos, eu e o Nuno, para acompanhar o Gustavo do GPS que liderou uma pequena equipa.
A entrada é um mimo, sobretudo pelo magnífico exemplar de Quercus faginea que dá o 2º nome à gruta. Julgo que justificava a classificação como árvore de interesse público o que (se é que ainda não foi feito), daria ainda mais valor ao conjunto. Na base do poço de acesso, que resultou da desobstrução de um pequeno buraco, o soprador, que está protegido por um pequeno abrigo fechado, e depois de uma passagem baixa abriu-se a galeria do rio Dueça e foi o delírio. As dimensões da galeria, a comodidade da progressão e a sensação de entrar num ambiente ímpar em Portugal fizeram o seu efeito.
A galeria do rio Dueça. Ampla e larga em quase toda a sua extensão. Foto de Marta Borges numa outra saída.
O Gustavo pelo seu lado mostrou-nos bem de que fibra é feita a malta do Sicó. 5 Estrelas , simpatia e muito companheirismo. Ficamos logo ali a perceber que os dias do encontro seriam, de facto, palco de muitas actividades especiais.
Percorremos toda a galeria até ao sifão terminal, um belo lago subterrâneo de água límpida e apetecível, mas que aparentemente, tem sido impossível de transpor. A progressão é simples, sobretudo com o nível de água tão baixo, embora o meu desconhecimento ainda me fizesse hesitar e recear entrar num qualquer buraco que pudesse existir pelo caminho. Não os há, e apenas nas curvas mais apertadas do rio se tinha de ter cuidado para evitar zonas mais fundas.
 
Deve ser engraçado visitar a gruta com um pouco mais de água e sentir ao vivo a força que esculpiu a galeria. Está ali muito trabalho de exploração.