quarta-feira, agosto 22, 2012

Espeleo by André

Deixo-vos um link para o blog do André Santos, um dos elementos mais jovens da AESDA, que escreve sobre vários temas e, claro, sobre espeleo ...


Vejam e oiçam .... !

para começar, imagens actuais com locução de Sir David Atenborough ...



e depois "a" versão, interpretada pelo grande Louis Armstrong.



Inspirador.

segunda-feira, agosto 20, 2012

Aranhas ... essas malandras

Um dos prazeres de entrar numa gruta é observar a vida aí existente, numa perspectiva lúdica e apenas pelo prazer de observar e registar. Daí as minhas tentativas de criar uma listagem com um registo fotográfico do que observo (sobretudo o que consigo identificar). Tento também acompanhar, de uma forma simples, o que se publica relativamente a esta área da biologia - a bioespeleologia. Podem ler no site do NEUA uma pequena introdução a este ramo do conhecimento.
Entre a bicharada (perdoem-me a simplicidade do termo) que observo com mais frequência estão as aranhas. Normalmente parecem-me todas iguais, mas sei que a diversidade é grande e pode oferecer-nos muitas surpresas interessantes.
De facto, segundo Cardoso, P. (2012), neste artigo publicado no IJS e que podem obter aqui, existem 49 espécies de aranhas troglobiontes na Península Ibérica, das quais 37 são endémicas.

Hmmm espeleólogo será bom?
As aranhas ocupam nos ecossistemas praticamente todos os habitats, sendo predadoras activas com inúmeras estratégias de caça e se estivermos com atenção podemos observá-las muito antes de entrarmos nos algares. Mas as espécies que observamos nas grutas e nos algares são, fruto das especificidades do ambiente cavernícola, muito especiais.

Para os mais distraídos, convém referir que as aranhas não são insectos. Formam uma classe de artropodes muito diversa, que inclui, para além das aranhas, os escorpiões, os ácaros e os pseudoescorpiões (para citar os grupos mais conhecidos).
Praticamente todos conhecemos a Meta bourneti [Araneae, Tetragnathidae] a, aparentemente, espécie de aranha mais comum nas grutas (pelo menos é a que eu observo com mais frequência) e cuja irmã Meta menardii foi precisamente nomeada a aranha do ano 2012.

Deixo aqui uma foto de um exemplar fotografado no Algar das Gralhas do Vale da Pena em Julho deste ano.







Meta bourneti (-6m - zona sem luz)
E se alguém me conseguir identificar a que se segue agradecia. Foi observada na descida do Algar do Vale da Pena, a 8m da superfície.
 
Espécie não identificada. Algar do Vale da Pena (-8m, zona iluminada)

sexta-feira, agosto 17, 2012

As grutas do Planalto de Sto. António

O NALGA, criou uma página específica para a divulgação de grutas e algares do Planalto de Santo António. A primeira adição é a topografia do Algar do Cheira.

"Cheirem" o trabalho aqui.


quarta-feira, agosto 15, 2012

Alenquer é assim ? Na ... só para doidos


Terça-feira, fim de tarde. Depois de um dia de trabalho nada melhor que uma aventura em ... Alenquer.
"No way" ... Alenquer? Não pode ser.

Mas pode. Destino - Lapa dos Morcegos.
Esta pequena gruta, numa pequena encosta, encaixada num vale torrencial e ao lado de umas captações de água da EPAL tem andado a ser seguida por um grupo de espeleólogos que estão a tentar tirar o máximo deste buraco.

O croqui tem vindo a crescer, com informação de cada vez que se visita a gruta e as crescentes insistências do Telmo para passar um sifão bem estreito tiveram finalmente sucesso.
A água baixou bastante e de facto o sifão é ultrapassável (podem-me ver no video - não editado - a sair do sifão) dando para uma sala estreita, alta e inclinada.


Enquanto topografavamos esta sala, cuja continuidade nos parecia ser apenas para baixo numa galeria inundada de belas dimensões (mesmo à medida de um mergulhozinho, embora a passagem de equipamento de mergulho naquele sifão não seja pêra doce), o Telmo (que está mesmo com vontade de chegar às muralhas do castelo) viu uma pequena passagem. Meti-me nela ultrapassando o Nuno por cima (atropelei-o) e fui por ali fora numa galeria talhada pela água, cheia de arestas e fácies aguçados.

No topo de uma pequena rampa, a surpresa -  uma corda de sisal,  amarrada numa formação servia de ajuda para a descida da rampa e continuava num pequeno meandro, a que o Nuno ainda tirou as medidas, mas que dado o adiantado da hora não tentamos explorar.

Ficam as perguntas. Quem anda aqui? Quando cá estiveram? Foram mais longe?

Para os mais interessados deixo o link para o site do Sistema Nacional de Monitorização de Recursos Hidricos, que possui informação muito útil para a compreensão desta e de outras regiões cársicas do país. Para os mais preguiçosos deixo também o link para a ficha 026 Sistema Aquífero Ota - Alenquer, uma publicação de 2000 do Instituto da Água.

Participaram nesta actividade: Célia, Pedro, Telmo, Nuno e eu.




segunda-feira, agosto 13, 2012

Montejunto Velho

Sábado 11/8, dia de escalada para desenferrujar musculos, articulações e sobretudo, como vim a perceber na prática, para desenferrujar a mente
Não há duvidas que espeleo e escalada não são a mesma coisa, mas o mais importante continua a ser ... confiar no equipamento e conhecer bem os procedimentos.

A companhia era cinco estrelas e o dia começou muito bem com uns bolos quentinhos comprados clandestinamente no forno da Ti Ana em Pragança.

Nunca tinha escalado em Montejunto. Foi a primeira vez. Levei uma tareia!
Quando chegamos a Paula estava a preparar-se para uma via ("Menáge à trois", 3 largos IV+) e o António colocou-me a fazer dupla. Nem pensei bem, disse ao que ia e fiz-me à via que tinha três largos e foi sempre a subir durante cerca de 60 m. Preciso de rever muita coisa. Subi bem, sem grandes dificuldades, mas em termos técnicos deixei muito a desejar. Muita atrapalhação, muito receio, muito stress nas reuniões. Quando a ferrugem se instala custa muito a recuperar. Neste caso em particular tive ao meu lado o mais importante nestas coisas. Um bom parceiro, seguro e sabedor. Obrigado Paula pela paciência e pelo cuidado lá em cima.
























Armado aos cucos fiz-me a uma segunda via "A minha Primeira" de dois largos, bonita, com um tecto e classificada como 6b.  Valeu pela tentativa mas não consegui passar a zona de maior dificuldade.

Esta zona de Montejunto é bem bonita. A escarpa domina Pragança e apesar das quezílias quanto ao ser possível ou não escalar ali o facto é que nesta altura do ano não se causam impactos de maior.

Podem encontrar informação sobre as vias aqui, aqui e aqui.Este blog (O Pequeno Sharma) é  muito interessante e tem também muitas referências úteis.


domingo, agosto 12, 2012

Jogos Olímpicos

Grande show. Magnifico. E ouvir esta metida lá pelo meio, com toda a fleuma e humor britânico. Well done.


quinta-feira, agosto 09, 2012

Passeio pedestre em Gale

Que me dizem? Existem decerto imensos espaços a explorar, buracos para espreitar, blocos para trepar ... Mas estas explorações espaciais já não são o que eram. Agora olhamos para estas fotos com alguma indiferença, mas são merecedoras da nossa admiração, sobretudo quando percebemos todo o planeamento e o trabalho necessário para as obter.

Não são a cores (ainda), existe alguma indefinição nos detalhes (ainda), etc ...mas aquelas montanhas ao longe deixam qualquer um com a vontade de ir até lá.

Uma missão da NASA, mais uma, a acompanhar com todo o interesse.
 

quinta-feira, agosto 02, 2012

Estreia em Agosto na WWW

Visto assim, desta forma empolgante, se eu ainda não o fizesse ...


uma bela edição do Vitor Toucinho.

quarta-feira, agosto 01, 2012

O que é a espeleologia

... uma visão pessoal,

Esta, que podia ser uma pergunta com resposta simples, encontra demasiadas variações de modo que, por vezes, é possível assistir a discussões acesas sobre o que é exactamente a espeleologia.
Numa coisa todos concordamos. Espeleologia, etimologicamente, resulta da utilização de dois vocábulos gregos, spelaion (caverna, gruta) e logos (estudo), pelo que podemos afirmar com toda a clareza que Espeleologia é o estudo das cavernas, grutas, algares e outras ambientes subterrâneos.
Tudo se torna mais complexo quando aprofundamos a realidade espeleológica e, rapidamente, percebemos que existem ramificações em praticamente todas as áreas de actividade humana: Geologia, Biologia, Arqueologia, Antropologia, Turismo, Desporto, Economia, Fotografia, Cartografia, Topografia, etc...
Numa perspectiva simplista podemos dividir a Espeleologia em duas vertentes: a científica, na qual cientistas (espeleólogos ou não) estudam, analisam e constroem modelos, explicações e hipóteses para questões que explicam o mundo em que vivemos e; a lúdica, em que pessoas "normais" (espeleólogos ou não) desfrutam do prazer de visitar ambientes subterrâneos que colocam desafios pessoais muitas vezes de grande intensidade.
Entre estas duas visões, científica e lúdica, conseguimos enquadrar quase toda a actividade espeleológica Tentamos contribuir para o aprofundar do conhecimento do património espeleológico português, mas tentamos também, dar a conhecer ao maior número possível de pessoas as especificidades destes ambientes, desmistificando medos e sobretudo aumentando o reconhecimento que vise a sua conservação.
A unir ambas as visões existem uma série de requisitos técnicos, que dependem de um processo de aprendizagem longo e que asseguram a exploração destes ambientes subterrâneos em segurança e com fiabilidade. De facto, a actividade espeleológica quer seja realizada numa perspectiva científica quer na perspectiva lúdica, implica riscos elevados, é exigente fisicamente, depende da aplicação de inúmeros procedimentos e pode dar origem a acidentes e incidentes de gravidade não devendo em nenhuma circunstância ser entendida como uma actividade banal de dificuldade reduzida e disponível para todos em todas as circunstâncias.
Os ambientes subterrâneos são demasiado diversificados e de enorme complexidade, em extensão, profundidade, localização, que a sua exploração (mais uma vez científica e/ou lúdica) deve ser abordada com um conhecimento elevado dos limites individuais de cada um e sobretudo de quem nos acompanha, por forma a transformar uma actividade potencialmente arriscada numa actividade com riscos minimizáveis pela prática de bons procedimentos.


A vida pode ser dura, muito dura lá em baixo. Frio, água, lama, escuridão, espaços apertados, arestas aguçadas, poços profundos, equipamento pesado, mas o prazer de explorar está-nos enraizado e a alegria de incluir grupos de "malucos" imbuídos de um espírito de aventura e partilha dessa dureza faz-nos ultrapassar muitos limites.

Também publicado aqui.

segunda-feira, julho 16, 2012

Palopes ... o de carne e osso encontra o de pedra dura

Finally ... a tão esperada estreia no Algar Palopes. Desci integrado na equipa da AESDA (Meira, Nuno e Fátima) que tinha como objectivo rever e reequipar os dois primeiros poços. Não ajudei muito nessa tarefa, mas tive a oportunidade de perceber a real dimensão do achado e de ficar de olho arregalado. Está ali muito trabalho.
O Palopes, como já é do conhecimento geral é a cavidade conhecida mais profunda em Portugal, encontrando-se em exploração por parte da AESDA que procede a trabalhos de exploração, cartografia e estudo das suas características geomorfológicas.
Apesar de contar pouco para o que realmente é importante desta vez saí com um brilhozinho nos olhos.Obrigado Meira!

Na final do P2 a aproximadamente -60m
Na subida do P2. A expressão diz tudo ... tou velho para estas coisas mas muito satisfeito por ainda as ir conseguindo fazer .
ps. o fiozinho que se vê à direita é o cabo da linha telefónica para comunicação entre a superfície e fundo do algar.




Este blog é pessoal e não reflecte as posições e opiniões oficiais da AESDA, pelo que qualquer assunto relacionado com a exploração do Algar, deve ser efectuada junto dos orgãos directivos da AESDA.








terça-feira, julho 03, 2012

Almonda

O Almonda velho arriscava-se a ser a minha Némesis. Já não é. Numa visita fantástica, pude apreciar 1/4 (mais ou menos) desta preciosidade. Alarguei os horizontes ... e apertei-me bem apertado no Psiquiatra e no buraco da Formiga

No buraco da formiga...

sexta-feira, junho 15, 2012

O verdadeiro Algar Azul

A propósito do nome atribuído ao Algar Azul, cuja desobstrução está em curso pelo GPS - Sicó e na qual participei durante a Festa da Espeleo, dei com este artigo, recente, do Espeleobloc  em que a verdadeira sala azul aparece aos 200m de profundidade. 
Nunca vi tal coisa (o que é normal diga-se) as formações são lindas devido à presença de hidrocarbonato de cobre  (malaquite e azurite), que ""tinge" as formações da sala com cores magníficas. Vale a pena ler todo o artigo, aliás vale a pena acompanhar todo o blog que é de uma riqueza impressionante.
Ainda em relação a esta sala, é certo que a profundidade exige muita experiência, mas também é certo que toda a informação necessária para desfrutar desta maravilha está ali disponível. Não se podia aprender com eles?

Foto retirada de Espeleobloc. La sala blava de la torca de Juanin. 14 de Junho 2012

quarta-feira, junho 13, 2012

Maços, martelos e baldes só nos faltou a branca de neve e ... os diamantes.

Humberto do GPS a explicar porque é azul ;)
Festa da Espeleo, Dia 1 de 4

Depois do soprador, depois de secarmos um bocado o fato ao sol, decidimos acompanhar outro grupo que iria realizar uma sessão de desobstrução no Algar Azul. Devo confessar que o nome engana um bocado e embora o Hugo Neves do GPS me tenha explicado o porquê ... fiquei a pensar que é mais para o ocre e barrento que azul.
Mas o facto é que (como percebi mais tarde) estas desobstruções têm sido de grande importância na exploração do sistema. Este algar, ainda pouco profundo, promete muito e percebe-se bem o investimento ali efectuado.

Lá em baixo trabalha-se com ganas.
Que me perdoem todos aqueles com os quais já andei a esburacar o chão mas, esta foi a desobstrução mais profissional em que me vi envolvido nesta minha curta carreira na espeleo. Tendas, martelos pneumáticos, um gerador e muita quinquilharia para cavar e sobretudo muito entulho no exterior mostravam claramente a intenção do GPS. Quando cheguei, já o Timóteo do CEAE-LPN e o Costinha estavam no fundo a preparar a desobstrução, uma vez que os trabalhos tinham parado num bloco que entupia uma pequena diaclase. Nada que o martelo pneumático não resolvesse. O resultado de todo este esforço foi de mais cinco metros em direcção ao fundo (atingidos num segundo dia em que já não participei).



Nada de diamantes!

1º Congresso de Fotografia Técnica em Gruta


O GEM, Grupo de Espeleologia e Montanhismo meteu-se em mais uma grande aventura: O 1º Congresso de Fotografia Técnica em Gruta.

Este evento que decorrerá em três momentos distintos: 21-23 de Setembro; 20-21 de Outubro e 15 de Dezembro de 2012 irá tornar-se, decerto, numa experiência fantástica para a maioria dos espeleólogos portugueses.

Podem consultar os detalhes do evento no site preparado para o efeito, aqui.

terça-feira, junho 12, 2012

Imersão no Soprador do Carvalho

Festa da Espeleo, Dia 1 de 4

Dia de viagem, de apresentações (és da AESDA, és do GEM, ficaram confusos os moços) e de imersão, literal, no sistema espeleológico do Dueça. Quase não houve tempo para respirar, já que logo após a montagem da tenda e antes mesmo de percebermos como seria o dia, ouvimos dizer "en passant" que iam montar uma escada no sector do Altar no Soprador do Carvalho.
Foi música para os nossos ouvidos e cinco minutos depois já estávamos prontos, eu e o Nuno, para acompanhar o Gustavo do GPS que liderou uma pequena equipa.
A entrada é um mimo, sobretudo pelo magnífico exemplar de Quercus faginea que dá o 2º nome à gruta. Julgo que justificava a classificação como árvore de interesse público o que (se é que ainda não foi feito), daria ainda mais valor ao conjunto. Na base do poço de acesso, que resultou da desobstrução de um pequeno buraco, o soprador, que está protegido por um pequeno abrigo fechado, e depois de uma passagem baixa abriu-se a galeria do rio Dueça e foi o delírio. As dimensões da galeria, a comodidade da progressão e a sensação de entrar num ambiente ímpar em Portugal fizeram o seu efeito.
A galeria do rio Dueça. Ampla e larga em quase toda a sua extensão. Foto de Marta Borges numa outra saída.
O Gustavo pelo seu lado mostrou-nos bem de que fibra é feita a malta do Sicó. 5 Estrelas , simpatia e muito companheirismo. Ficamos logo ali a perceber que os dias do encontro seriam, de facto, palco de muitas actividades especiais.
Percorremos toda a galeria até ao sifão terminal, um belo lago subterrâneo de água límpida e apetecível, mas que aparentemente, tem sido impossível de transpor. A progressão é simples, sobretudo com o nível de água tão baixo, embora o meu desconhecimento ainda me fizesse hesitar e recear entrar num qualquer buraco que pudesse existir pelo caminho. Não os há, e apenas nas curvas mais apertadas do rio se tinha de ter cuidado para evitar zonas mais fundas.
 
Deve ser engraçado visitar a gruta com um pouco mais de água e sentir ao vivo a força que esculpiu a galeria. Está ali muito trabalho de exploração.




terça-feira, junho 05, 2012

domingo, junho 03, 2012

Festival Espeleo

A partir de quinta-feira e durante quatro dias vou a um festival,  um verdadeiro rock no rio (o pessoal do espeleo perceberá bem a piada). Nada de coisas artificiais, inventadas e massificadas.

Nunca visitei grutas na zona e também nunca participei num encontro deste tipo. Expectativas muito elevadas, portanto.

O Grupo Protecção Sicó realiza este festival desde 1998 e tem entre diversas "medalhas" a descoberta do Soprador do Carvalho e o Abismo do Sicó.  Podem conhecer, muito bem, o trabalho que desenvolvem e, que ultrapassa em muito a actividade espeleológica aqui e aqui.