Uma das afirmações relativas a definição de espeleologia como actividade, é a de a aceitarmos como sendo uma actividade com riscos em vez de a tornarmos uma actividade arriscada. Isto consegue-se através da adopção de medidas e procedimentos de segurança apertados ou pelo menos exigentes (com sapiência e sem fundamentalismos).
Eu já tenho a minha cota parte de incidentes. Desde os que não dependem de nós como foi o caso da queda de um bloco de várias centenas de kgs aos meus pés (no Mindinho) à queda de um mosquetão de um companheiro que após vários ricochetes me fez um golpe no nariz (pequenino, o golpe).
E também já assisti a situações mais complicadas com outros companheiros. Felizmente sempre dentro dos limites do aceitável e quase sempre não decorrentes de atitudes e/ou comportamentos arriscados, na maioria dos casos impossíveis de evitar (os verdadeiros acidentes). Mas também já assisti a uma ou duas situações bem arrepiantes em que, o excesso de confiança, leva as pessoas a assumirem riscos absolutamente desnecessários.
Vem isto a propósito do artigo que se segue, que deveria ser de leitura obrigatória em todos os cursos de espeleologia. Encontrei-o aqui e julgo que é mesmo um dos artigos mais importantes e interessantes que li sobre espeleologia.
Uma leitura atenta permite-nos perceber que cada caso, é um caso. Talvez não existam duas situações iguais, mas é inegável que as situações que conduzem ao acidente e nos casos relatados à morte, são, podemos dizê-lo, frequentes. Sobretudo se pensarmos na quantidade de incidentes que ocorrem e que (felizmente) não têm consequências tão trágicas.
Por outro lado se forem menos pacientes leiam as conclusões da página 20 que resume do seguinte modo os casos de morte em actividade espeleológica: 36 casos (43,9%) por afogamento (leiam bem os detalhes porque só metade destes casos correspondem a situações de espeleomergulho); 42 casos (51,2%) em espeleologia vertical (7 casos na corda e 35 de queda vertical). De notar que o artigo é de 1999 e que os dados reportam a situações anteriores a 1997. Já passaram 15 anos. Melhorou, piorou?
Nada como um "reality check" para descer à terra: rever procedimentos; olhar para o equipamento; estudar movimentos; reconhecer as nossas limitações e enfrentar com consciência os nossos limites.
EXPLORACIONS 18. Barcelona 1999. Accidentes mortales en la espeleología española (1929-1997)
quarta-feira, agosto 22, 2012
Espeleo by André
Deixo-vos um link para o blog do André Santos, um dos elementos mais jovens da AESDA, que escreve sobre vários temas e, claro, sobre espeleo ...
Vejam e oiçam .... !
para começar, imagens actuais com locução de Sir David Atenborough ...
e depois "a" versão, interpretada pelo grande Louis Armstrong.
Inspirador.
e depois "a" versão, interpretada pelo grande Louis Armstrong.
Inspirador.
segunda-feira, agosto 20, 2012
Aranhas ... essas malandras
Um dos prazeres de entrar numa gruta é observar a vida aí existente, numa perspectiva lúdica e apenas pelo prazer de observar e registar. Daí as minhas tentativas de criar uma listagem com um registo fotográfico do que observo (sobretudo o que consigo identificar). Tento também acompanhar, de uma forma simples, o que se publica relativamente a esta área da biologia - a bioespeleologia. Podem ler no site do NEUA uma pequena introdução a este ramo do conhecimento.
Entre a bicharada (perdoem-me a simplicidade do termo) que observo com mais frequência estão as aranhas. Normalmente parecem-me todas iguais, mas sei que a diversidade é grande e pode oferecer-nos muitas surpresas interessantes.
De facto, segundo Cardoso, P. (2012), neste artigo publicado no IJS e que podem obter aqui, existem 49 espécies de aranhas troglobiontes na Península Ibérica, das quais 37 são endémicas.
| Hmmm espeleólogo será bom? |
As aranhas ocupam nos ecossistemas praticamente todos os habitats, sendo predadoras activas com inúmeras estratégias de caça e se estivermos com atenção podemos observá-las muito antes de entrarmos nos algares. Mas as espécies que observamos nas grutas e nos algares são, fruto das especificidades do ambiente cavernícola, muito especiais.
Para os mais distraídos, convém referir que as aranhas não são insectos. Formam uma classe de artropodes muito diversa, que inclui, para além das aranhas, os escorpiões, os ácaros e os pseudoescorpiões (para citar os grupos mais conhecidos).
Praticamente todos conhecemos a Meta bourneti [Araneae, Tetragnathidae] a, aparentemente, espécie de aranha mais comum nas grutas (pelo menos é a que eu observo com mais frequência) e cuja irmã Meta menardii foi precisamente nomeada a aranha do ano 2012.
Deixo aqui uma foto de um exemplar fotografado no Algar das Gralhas do Vale da Pena em Julho deste ano.
| Meta bourneti (-6m - zona sem luz) |
| Espécie não identificada. Algar do Vale da Pena (-8m, zona iluminada) |
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