segunda-feira, outubro 15, 2012

Na Columbeira

Mais um dia de actividade intensa na Gruta das Pulgas, para se desobstruir a passagem descoberta à quinze dias e que deverá permitir a união das três cavidades: Gruta da Água, Gruta das Pulgas, Fenda da Columbeira.

Vista para o lado Este do bordo do planalto das Cezaredas no Vale Roto. No topo é o Picoto.













Entrada da Gruta da água. Acesso muito fácil, praticamente ao nível da Estrada Nacional.









Vista da Lapa da Columbeira, trisnada pelo sol da manhã. A Lapa do Suão fica um pouco mais acima á direita.














A entrada da Gruta das Pulgas.











A zona em desobstrução. Por vezes cria-se uma abóboda de mais de um metro de altura para lá da abertura, mas a quantidade de pedras impede a entrada em segurança. O trabalho tem consistido em fazer ruir as pedras e retirá-las pela abertura. 


Espólio. Estes materiais começaram a aparecer ao fim de algumas horas de trabalho. O pedaço grande  de plástico vermelho, acabamos por perceber tratar-se dos restos de um capacete de motorizada que se encontra na fenda.










O Nuno a apreciar a depressão na base da Fenda da Columbeira.

















Esta é a minha interpretação do ponto de situação. Como se verificou, pela topografia realizada, a diferença entre a abertura na Gruta das Pulgas e a base da Fenda da Columbeira é de "apenas" cinco metros. 
A ligação entre as duas cavidades está bem confirmada, mas o cenário actual é talvez o pior de todos. De facto as pedras que caem já são da base da fenda, que apresenta uma depressão de mais de um metro, isto é estamos provavelmente na presença não de uma chaminé e/ou de uma galeria que possa ser percorrida já, mas sim na presença do prolongamento em profundidade da fenda. Este prolongamento está, aparentemente,  preenchido na sua totalidade por um depósito de calhaus e terra que formam a base da Fenda Columbeira como a conhecíamos.
O volume de inertes a remover ficou agora num patamar elevadíssimo que desanima qualquer um. Por outro lado não os retirar é deixar de perceber até onde vai a Fenda e perder a oportunidade de perceber melhor a génese destas três cavidades.

 








sexta-feira, outubro 12, 2012

Palopes - IV - A desilusão

Continua a saga do Palopes, videos produzidos pelo Bafa da Barata/AESDA com imagens obtidas durante as campanhas de exploração.

Depois do cabo, do telefone, do extase de chegar mais fundo ... chega a desilusão.

Faz parte ...


terça-feira, outubro 09, 2012

Que grande Quintal!

Do Reguengo à Columbeira. Este fim-de-semana incluía, finalmente, uma saída de campo. O objectivo era participar numa saída do NABUC, um grupo recentemente criado e que tem como zona de estudo o Planalto das Cezaredas. Não foi a minha primeira deslocação às Cezaredas. Já tenho no portfolio a visita às Grutas do Ralis, dos Alfaiates, do Moleiro e a mais uns quantos buracos. 

 
O pessoal do NABUC tem dedicado atenção à exploração e à descoberta de novas cavidades. Foi precisamente para uma dessas, o Algar do Quintal, que nos dirigimos para exploração, desobstrução e topografia. O Algar inicia-se exactamente como o nome indica no Quintal de um dos habitantes de Reguengo, tem uma entrada lindíssima e será descrito em pormenor no site do NABUC. Basta para já dizer que a entrada corresponde a um poço central numa diaclase e que a progressão se faz por galerias que resultam do preenchimento desta fenda com blocos e enchimento de argilas. 
Mas o melhor do dia, seguiu-se no final dos trabalhos e depois de uma ginga no café do Sr. Ismael, onde se reuniu uma pequena tertúlia de espeleólogos. As minis e as gingas soltaram a língua e falou-se de tudo um pouco mas, sobretudo, arranjaram-se forças e vontade para ir desobstruir uma das passagem descobertas pelo Pedro, Nuno e João na véspera na Gruta da Pulga na Columbeira. E assim foi, fomos todos tirar pedra de uma cascalheira. Foi um ver se te avias a retirar blocos pequenos de uma chaminé, cuja base visível desemboca lateralmente na gruta da Pulga (o que permite ir retirando em segurança os calhaus), com muita risada à mistura pois de quando em vez, uma derrocada mais barulhenta provocava um frisson e um certo esgar de medo a quem estava no turno de serviço. 
Gruta da Água
Os três já tinham, no dia anterior, ligado com sucesso a Gruta da Pulga à Gruta da Água e os cálculos da topografia colocavam esta chaminé no prolongamento da base da Fenda da Columbeira.
De facto, fiz uma passagem pelo topo da fenda e já era visivel um abatimento na sua base bem como se ouvia distintamente no topo da fenda o barulho das derrocadas no interior da "chaminé".  Está definida a ligação. Falta limpar e com sorte existe ali um nível de ligação entre as duas cavidades com mais hipóteses de exploração (this is me dreaming).


Gruta da Pulga


A Fenda da Columbeira é uma clássica da espeleologia, muito conhecida na região até porque naquele vale existem inúmeras cavidades, muitas de grande interesse arqueológico. Podem ter uma perspectiva fantástica da fenda nesta imagem 3d do Rui Mergulho
O futuro do NABUC. Grande Duarte!
Devido ao seu fácil acesso é utilizada para treinos, como gruta escola e tem também uma geocache no seu interior [GCP9A4]. Por todos estes aspectos o Vale da Columbeira, que entalha o bordo sul do Vale Tifónico das Caldas da Rainha possui inúmeros motivos de interesse e pode ficar, se estas ligações se tornarem reais, ainda mais importante do ponto de vista espeleológico. Este fim-de-semana trata-se mais um bocado do assunto.