terça-feira, Outubro 18, 2011

Ibn Ammar

"A Leitura
Minha pupila liberta
Quem da página é cativo:
O branco, da margem certa
E da palavra, o negro vivo."

Ibn ' Ammar al-Andalusi, poeta árabe de origem Algarvia (S. Brás de Alportel, Estômbar ou Silves de acordo com as várias fontes - aqui, aqui ou ainda aqui por exemplo) viveu aventurosamente no Gharb Al-Andalus cerca de um século antes que se falasse de Portugal.
Como é que o seu nome aparece ligado a esta gruta não sei. Talvez a proximidade de Estômbar (uma das referências como local de nascimento) seja a razão. Se estiverem interessados este documento da Arkeotavira, apesar de não referir a gruta faz um belo retrato da época.


Seja como for, Ibn Ammar é o nome de uma gruta, fantástica, localizada na margem direita do estuário do Rio Arade, onde o rio expôs uma falésia de calcários do Jurássico, a que a AESDA tem dedicado alguns anos de trabalho com vista à realização e publicação de uma cartografia detalhada (a publicar no Trogle).


A primeira grande surpresa desta gruta é a sua localização. A proximidade do estuário, a influência da das marés e a entrada a uma cota baixa, deixa antever a presença de água. Mas nada nos prepara para a sala que encontramos depois de percorrermos alguns metros numa galeria tubular.

A sala do lago é uma catedral! Eu sei que com o tempo hei-de ter a oportunidade de ver coisas ainda mais imponentes, mas, para já, esta sala encheu-me as medidas. Andar naquele lago sem receio de afundar na lama do fundo, confiando que não existem poços e ou depressões é um exercício de confiança que ombreia com todos os que os cursos de interacção entre pessoas possa inventar. Daí o facto de em algumas ocasiões fugirmos para as paredes laterais da sala. Só para não afundar muito.

Mas o ambiente é fantástico, pois a sala tem umas dimensões bem razoáveis, com espeleotemas abundantes, em que o som do marulhar da água ecoa com suavidade. Já o mesmo não se pode dizer das conversas e gritos do pessoal, 14 espeleólogos, muitos estreantes em Ibn Ammar e todos superdivertidos pela experiência. Não há nada como uma piscina natural para que se liberte a nossa aptidão natural para nos tornarmos crianças.
Foi uma boa demonstração da capacidade mobilizadora da AESDA.

Estalagtites até à água...

Ou água até ao tecto?

Preparados para a desobstrução
Para além da topografia, fez-se também uma tentativa de desobstrução que apesar de não ter dado resultados imediatos, serviu-me para ampliar a experiência em gruta. O trabalho lá em baixo é de facto cansativo. Muito cansativo. Mas é uma boa maneira de mandar fora as energias acumuladas.
Podem ver outras fotos da gruta de Ibn Ammar aqui (portfolio de fotografia do Rui Mergulho, um dos elementos da AESDA).

2 comentários:

Curi disse...

Boa noite! Estive esta manhã, com um grupo de amigos, nas grutas. Muita lama e pó, mas foi uma excelente experiência. Só é pena o vandalismo (grafitties, portão roubado na entrada mais alta, estalactites partidas), porque de resto, foi espectacular. E o lago na galeria maior estava com bom aspecto! :)

José Varela (al-Farrob) disse...

Acho que houve um engano, a margem é direita ou esquerda?