segunda-feira, maio 28, 2012

Algar do Vale da Pena, palhinhas, cabras e um algar inexplorado para acabar o dia


Depois de uma primeira visita ao Algar do Vale da Pena ou Algar dos Ursos como também é comummente referido (Nalga, NEALC), voltamos este fim de semana com diversos objectivos em mente.
O primeiro foi terminar os levantamentos para produzir uma topografia. Apesar de insistentemente me dizerem que existe, o facto é que não a encontro. Por isso faço a minha/nossa e depois logo a comparo com a que existir e que há-de aparecer. Entre os outros devemos referir: Filmagens e fotografia; exploração da "palhinha"; observação mais cuidada da zona de deposição de areias.
Está em forma. Dá aulas de geologia, faz topografia ... etc.
E devemos dizer que fizemos tudo. Todos tiveram o seu quinhão de aventura e adrenalina, vivendo cada um à sua maneira a experiência de descer a este algar. A topografia ficou completa e os dados de campo irão dar origem a um "desenho" do algar, embora tenham surgido algumas dificuldades que exigem acertos pontuais.

Em todo o caso surgiram novidades e essas, pelo menos face ao conhecimento dos elementos da equipa, terão de ser novamente avaliadas e bem medidas. Salientamos os seguintes aspectos:
  • Realizou-se a escalada e a descrição de uma fenda na sala dos ossos, que produziu duas salas, pequenas. A escalada fez-se em oposição vencendo um desnível de sensivelmente 5m;
  • Durante a topografia, identificou-se uma chaminé, no salão central, na direcção da galeria terminal dos lagos, com duas progressões possíveis. Uma no topo de uma chaminé que exigirá algum (muito) esforço de escalada, a outra, que parece desenvolver-se horizontalmente e que implica uma escalada de 6/7m;
  • Na descida da palhinha (na falta de melhor chamo-lhe assim, mas devíamos começar a encontrar nomes para estas coisas) que nos deu 41m (medição com fita métrica e com o ponto zero, 1m abaixo do topo da amarração), foi anotada uma passagem lateral (a 20m do fundo) que apesar de estreita, desemboca num poço de 2/3m de diâmetro e sem fundo visível).
  • Na sala do balcão avançou-se um pouco na continuação existente na base da sala, mas a eventual progressão depende de desobstrução. No fundo existe uma forte corrente de ar.
Sala do balcão. Note-se a inclinação.














Isto é, se pensarmos bem, ficaram mais pontas soltas que as que levávamos antes.  E tudo aponta para, pelo menos, mais uma deslocação, de gente mais expedita e experiente para explorar a continuidade encontrada na palhinha.

Por outro lado, e isso acontece com frequência quando vou para o campo, encontramos ... isso mesmo ... mais um algar. 
A história conta-se depressa e é igual a tantas outras. Um pastor (com a nuance moderna de nos aparecer num Range Rover) preocupado com as suas cabras, aborda-nos para ter a certeza que não levamos nenhuma no porta-bagagens e após dois dedos de conversa, lá nos diz os buracos que conhece. Para além do que acabamos de descer, fala-nos num que o Vitor reconhece logo como sendo a Lajoeira e de um outro ali perto onde costumava entrar de gatas quando era miúdo.
Acreditem, são 3x3m de boca ali debaixo das silvas!
É claro que fomos à procura. E é claro que encontramos. Não um buraquito onde se entra de gatas, mas um algar com uma boca de cerca de três por três metros, completamente coberta de silvas e outra vegetação bem densa. Após uma limpeza apressada, as primeiras pedras atiradas, pequenas, ficavam ali perto e não deixavam antever uma grande vertical. No entanto, o Luís resolveu atirar um calhau, de maiores dimensões e foi um ver se te avias a ouvi-lo rebolar por ali abaixo durante um bom bocado. Temos buraco ... para visitar rapidamente. Refira-se que não existem marcas de spits, etc, etc...

ed. 29Maio. O Vitor Amendoeira diz que se deve tratar do Algar das Gralhas (original não é?) em Moita do Poço. Agora falta obter mais informação para saber se se limpa a entrada e se se efectua uma entrada.

ps. continua por encontrar a gruta onde o pastor dizia brincar na infância.
pps: se me arranjarem a topografia da Gruta do Vale da Pena eu digo onde é que é esta.

2 comentários:

nalga disse...

Começa a ser um clássico encontrar sem mais alguma coisa... abraço

Paulo Lopes disse...

pois é ... e é engraçado ver como ficam todos eriçados perante a perspectiva de se ver alguma coisa nova ou (pelo menos isso) fechada à muito tempo.