Visto assim, desta forma empolgante, se eu ainda não o fizesse ...
uma bela edição do Vitor Toucinho.
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quinta-feira, agosto 02, 2012
segunda-feira, maio 28, 2012
Algar do Vale da Pena, palhinhas, cabras e um algar inexplorado para acabar o dia
Depois de uma primeira visita ao Algar do Vale da Pena ou Algar dos Ursos como também é comummente referido (Nalga, NEALC), voltamos este fim de semana com diversos objectivos em mente.
O primeiro foi terminar os levantamentos para produzir uma topografia. Apesar de insistentemente me dizerem que existe, o facto é que não a encontro. Por isso faço a minha/nossa e depois logo a comparo com a que existir e que há-de aparecer. Entre os outros devemos referir: Filmagens e fotografia; exploração da "palhinha"; observação mais cuidada da zona de deposição de areias.
| Está em forma. Dá aulas de geologia, faz topografia ... etc. |
E devemos dizer que fizemos tudo. Todos tiveram o seu quinhão de aventura e adrenalina, vivendo cada um à sua maneira a experiência de descer a este algar. A topografia ficou completa e os dados de campo irão dar origem a um "desenho" do algar, embora tenham surgido algumas dificuldades que exigem acertos pontuais.
Em todo o caso surgiram novidades e essas, pelo menos face ao conhecimento dos elementos da equipa, terão de ser novamente avaliadas e bem medidas. Salientamos os seguintes aspectos:
- Realizou-se a escalada e a descrição de uma fenda na sala dos ossos, que produziu duas salas, pequenas. A escalada fez-se em oposição vencendo um desnível de sensivelmente 5m;
- Durante a topografia, identificou-se uma chaminé, no salão central, na direcção da galeria terminal dos lagos, com duas progressões possíveis. Uma no topo de uma chaminé que exigirá algum (muito) esforço de escalada, a outra, que parece desenvolver-se horizontalmente e que implica uma escalada de 6/7m;
- Na descida da palhinha (na falta de melhor chamo-lhe assim, mas devíamos começar a encontrar nomes para estas coisas) que nos deu 41m (medição com fita métrica e com o ponto zero, 1m abaixo do topo da amarração), foi anotada uma passagem lateral (a 20m do fundo) que apesar de estreita, desemboca num poço de 2/3m de diâmetro e sem fundo visível).
- Na sala do balcão avançou-se um pouco na continuação existente na base da sala, mas a eventual progressão depende de desobstrução. No fundo existe uma forte corrente de ar.
| Sala do balcão. Note-se a inclinação. |
Isto é, se pensarmos bem, ficaram mais pontas soltas que as que levávamos antes. E tudo aponta para, pelo menos, mais uma deslocação, de gente mais expedita e experiente para explorar a continuidade encontrada na palhinha.
Por outro lado, e isso acontece com frequência quando vou para o campo, encontramos ... isso mesmo ... mais um algar.
A história conta-se depressa e é igual a tantas outras. Um pastor (com a nuance moderna de nos aparecer num Range Rover) preocupado com as suas cabras, aborda-nos para ter a certeza que não levamos nenhuma no porta-bagagens e após dois dedos de conversa, lá nos diz os buracos que conhece. Para além do que acabamos de descer, fala-nos num que o Vitor reconhece logo como sendo a Lajoeira e de um outro ali perto onde costumava entrar de gatas quando era miúdo.
| Acreditem, são 3x3m de boca ali debaixo das silvas! |
É claro que fomos à procura. E é claro que encontramos. Não um buraquito onde se entra de gatas, mas um algar com uma boca de cerca de três por três metros, completamente coberta de silvas e outra vegetação bem densa. Após uma limpeza apressada, as primeiras pedras atiradas, pequenas, ficavam ali perto e não deixavam antever uma grande vertical. No entanto, o Luís resolveu atirar um calhau, de maiores dimensões e foi um ver se te avias a ouvi-lo rebolar por ali abaixo durante um bom bocado. Temos buraco ... para visitar rapidamente. Refira-se que não existem marcas de spits, etc, etc...
ed. 29Maio. O Vitor Amendoeira diz que se deve tratar do Algar das Gralhas (original não é?) em Moita do Poço. Agora falta obter mais informação para saber se se limpa a entrada e se se efectua uma entrada.
ed. 29Maio. O Vitor Amendoeira diz que se deve tratar do Algar das Gralhas (original não é?) em Moita do Poço. Agora falta obter mais informação para saber se se limpa a entrada e se se efectua uma entrada.
ps. continua por encontrar a gruta onde o pastor dizia brincar na infância.
pps: se me arranjarem a topografia da Gruta do Vale da Pena eu digo onde é que é esta.
quinta-feira, maio 17, 2012
Algar do Vale da Pena
Mais uma saída espeleológica para visitar um Algar localizado na zona de Alcobaça. Pouca informação disponível para esta visita, sem topografia e com poucas referências escritas de exploração. Um dos elementos do grupo, repetente, serviu de guia.
Aparentemente a designação como Algar ou Gruta dos Ursos deriva da presença das ossadas e das histórias associadas. Segundo informação recebida o verdadeiro nome desta cavidade será Algar do Vale da Pena e será "uma pena" deixar cair a designação correta e mais antiga em detrimento de uma que tem a ver apenas com um aspecto particular da cavidade.
Aparentemente a designação como Algar ou Gruta dos Ursos deriva da presença das ossadas e das histórias associadas. Segundo informação recebida o verdadeiro nome desta cavidade será Algar do Vale da Pena e será "uma pena" deixar cair a designação correta e mais antiga em detrimento de uma que tem a ver apenas com um aspecto particular da cavidade.
| Entrada do Algar. Esta e as fotos que ilustram este post são da Marta Borges. |
A equipagem revelou-se algo trabalhosa já que inclui 3 fraccionamentos, o ultimo deles num tecto a definir uma vertical de descida, curta mas bem bonita. No total a extensão de corda utilizada (sem contar com os nós) medida com fita métrica foi de 30,30m. A equipagem com 3 fraccionamentos deve implicar a utilização de pelo menos 50m de corda.
O Algar do Vale da Pena revelou inúmeros motivos de interesse: muitos espeleotemas; depósitos de areias e vestígios osteológicos (as célebres ossadas de urso).
| A vertical de descida no centro da sala principal. |
A descida do poço deixa-nos no centro de uma sala, de grandes dimensões, sobre um depósito de blocos e com uma inclinação muito elevada (ver esboço de alçado). Foi na projecção da boca do algar que encontramos um exemplar de Víbora-cornuda (Vipera latastei) que tratei de "embrulhar" e no final da actividade transportar para a superfície.
A sala tem duas continuações possíveis. A da direita é a que apresenta mais potencial espeleológico, isto é, apresenta algumas hipóteses de continuação ainda mal exploradas (pelo menos com meu conhecimento). É nesta secção que surge o tubo/palhinha e uma secção com lagos que termina num túnel inundado (in Relatório de Actividades de Espeleogia. GEM. Fev, 2011) a merecer uma avaliação cuidada. [de acordo com informações adicionais do António Devile, do Nuno Rodrigues e do Sérgio Medeiros, nem o tubo nem os lagos oferecem hipóteses de continuação]
A galeria da esquerda apresenta, desde o seu inicio, um elevado número de estalactites, estalagmites, colunas e outros espeleotemas. Surpreendente pela diversidade, quantidade e integridade.
A progressão faz-se por um balcão lateral plano, que evita a descida ao ponto mais baixo onde existe um poço aparentemente sem continuidade. É na continuação desta sala que se observam os depósitos de areia. Estes depósitos estão cobertos por manto calcítico que em alguns locais, julgo até que por acção humana, começam a deixar "fugir" as areias que ficaram encapsuladas no manto.
| Entrada na sala do balcão. |
As bolsas de areias encontram-se apenas na área que une a sala do balcão da sala dos ossos. Julgo ser interessante ver que a cota mais baixa destas salas é idêntica, bem como a cota do tecto.
Parece que os depósitos de areia e a subsequente "fossilização" com a consolidação do manto calcítico acabaram por separar estas duas salas. O esvaziamento destas bolsas dá origem ao aparecimento de estruturas suspensas, abóbodas cuja superfície inferior mostra um conglomerado a merecer uma visão mais detalhada por um "experto" que não um biólogo armado em espeleólogo.
| Manto calcítico suspenso na zona das areias. |
A sala dos ossos retoma a altura que se observa na sala do balcão e apresenta também uma elevada quantidade de espeleotemas. Nesta sala são de destacar os vestígios osteológicos, já envolvidos por calcite e uma coluna de calcite alva que apresenta uma superfície cheia de micro gours de grande beleza.
Esta gruta contém valores patrimoniais únicos. As bolsas de areias (a hipótese referida pelo P. Rodrigues no relatório anterior de se tratarem de vestígios do episódio marinho que fez da encosta ocidental do maciço uma arriba marinha devia merecer uma análise mais detalhada), a sua significação e a tendência de quem visita a gruta de escavar um pouco; os vestígios osteológicos e a sua posição periclitante no percurso e logo sensíveis ao pisoteio; a integridade e diversidade dos espeleotemas observáveis e finalmente a existência de pontas soltas (é muito provável que apareçam entretanto mais informações) tornam urgentes algumas medidas de conservação.
A sinalização dos vestígios osteológicos pode evitar o seu pisoteio e a delimitação de um percurso na zona das areias pode impedir a sua crescente destruição.
| Víbora-cornuda (no exterior depois de aquecer ao sol) |
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