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quarta-feira, março 05, 2008

Orchid spot II

Consigo habituar-me a isto. Sair do emprego, ligar o gps e apontar para locais isolados nos montes sobrançeiros a Loures e Malveira e, durante uma hora dedicar-me ao prazer de observar plantas.
A luz não é a melhor. O sol já baixo, projecta sombras grandes que dificultam a observação de plantas pequenas, como são as orquídeas. Hoje o frio também era um bocado demais.

Subi a Montachique, mas debruçei-me sobre uma mancha de vegetação, que devido aos afloramentos calcáreos, permanece inalterada (no que é possível) entre as construções e os campos agrícolas perto de Salemas.
Mais uma surpresa.

O objectivo do dia era observar orquídeas, identificá-las e georeferenciar a sua localização. Acabei a tirar fotografias atrás de fotografias de uma espécie de Iris que nunca tinha observado.
Entre a enorme quantidade de Narcissus bulbocodium, apareceu-me uma mancha de lirios, de grandes flores purpuras/azuladas, bonitas.

Trata-se da Iris subbiflora Brot. um endemismo ibérico, que vegeta em sítios secos, em solos calcáreos.

A camada de solo onde crescia, não deve ter mais de 10cm, já que as bancadas de calcáreo afloravam em alguns locais, de forma que em alguns sitios, os rizomas devem ocupar as fendas e as cavidades nas rochas.

É interessante verificar como alguns locais, que por razões geológicas, não podem ser construídas, acabam por se tornar refúgios para espécies de grande valor florístico. Vou estar mais atento a outras locais para esta espécie, mas, como referi, esta é a minha primeira observação.
Quanto às orquídeas. A lista é a seguinte:

Aceras anthropophrum - a mais abundante e a iniciar claramente o arranque para uma floração vistosa;
Ophrys tenthredinifera - também neste local a Ophrys mais abundante;
Ophrys bilunulata - apenas 2 individuos
Orchis conica - apenas uma planta.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Incursão na Serra da Estrela

Espaço, muito espaço. É esta a sensação que tenho sempre que visito a Serra da Estrela.
Para além da beleza esmagadora das pedras polidas pelo gelo, que caoticamente se espalham por todas as vertentes, existe uma calma que se sente entranhar.
Não vou falar dos problemas. Risco de excessos no aproveitamento turistico, despovoamento florestal devido aos incêndios, expansão de espécies exóticas... prefiro realçar a cada vez maior afinidade das pessoas com os espaços naturais. É bom que as pessoas os reconheçam como um valor (mesmo que tenham apenas um interesse económico) e usufruam desse valor.
Saimos todos mais ricos. Uns por encontrarem aí o seu modo de vida, outros por recarregarem aí baterias para enfrentarem o stress acumulado.
Ficam aqui algumas fotos legendadas, apenas para deliciar os apetites.

A caminho da Lagoa da Paixão dei com este "sapal"

O Cântaro Magro. Objectivo - chegar ao topo; O que é preciso - Malta com coragem - ficam convidados


O Vale Glaciar abaixo do Covão da Ametade

Com estas bagas de Zimbro a aguardente da serra aqueçe até os mais friorentos, como eu. É claro que depois não subo ao Cântaro.

sábado, junho 09, 2007

Orquídeas - 4 meses de observações



Estamos em Junho e como prometi, apresento de seguida a lista das espécies de orquídeas que observei durante alguns passeios pedestres e de BTT. A maior parte das observações foi feita no concelho de Mafra, existindo ainda observações realizadas na Arrábida (Terras do Risco) e em Montejunto.



A nomenclatura segue a ...



Este post está em actualização e ficará no topo do blog durante algum tempo. Volte sempre e vá dando opiniões.




Cephalantera longifolia (L.) Fritsch: Espécie que conheço de muitas observações no Parque Florestal de Monsanto, onde é abundante em zonas de carvalhal. Observações feitas em Negrais e Montejunto (poucos exemplares nos dois locais). Lembro-me ainda de belos exemplares observados na Pedra Furada.



Limodorum abortivum (L.) Swartz: Uma novidade. Seis exemplares observados no início da floração, perto da Carvoeira. Tirei fotos que não são de grande qualidade. Esta estação será de visita obrigatória, embora esta espécie possa ficar anos sem florir.



Neotinea maculata (Desf.) Stearn: Alguns (poucos) exemplares na Serra de Montejunto num biótopo muito diferente dos pinhais da lagoa de St. André onde observei extensos maciços.



Orchis papilionaceae L.: Uma outra novidade, depois de muitos anos sem a observar, um único exemplar nas Terras do Risco, junto às Marmitas de Gigante da ribeira do Risco deixou uma marca de alegria e satisfação. Uma das orquídeas mais vistosas que já observei.



Orchis coriophora subsp. fragrans (Pollini) Sudre: Uma orquídea muito abundante nos ervados calcícolas do concelho de Mafra formando extensas manchas de Maio a finais de Junho. Não sei porquê, este ano não consegui sentir o odor adocicado que libertam e que (entre outras características) a distingue da outra sub-espécie.



Orchis italica Poiret in Lam.: Esta é a Orchis mais abundante por estes lados. No pico de floração observam-se extensos maciços, lindos, que chamam a atenção mesmo dos que não se interessam por estas plantas. Não é fácil não reparar nelas durante o mês de Abril.DSC08742.JPG




Orchis mascula (L.) L. subsp. mascula: Identificada a partir das fotografias na Serra de Montejunto, onde era muito comum na beira da estrada de aceso às antenas, em alguns sitios quase a furar o alcatrão (nas zonas mais marginais). Estes exemplares são mais pequenos que o fotogafado (apenas 15-20cm de altura) e merecem uma visita mais cuidada no pico de floração para uma observação mais detalhada e melhor identificação.




Aceras anthropophorum (L.) Aiton fil.: Outra espécie comum e muito abundante sendo facilmente observada, embora não seja tão vistoda quanto a anterior, com a qual hibridiza frequentemente (para a próxima vou observar com mais cuidado as diversas populações)e. Apesar de coexistir com a Orchis italica em praticamente todos os locais, tem um período de floração mais alargado avistando-se desde Março.



Barlia robertiana (Loisel.) W. Greuter:
















Technorati :


terça-feira, maio 29, 2007

Atlas das Árvores de Leiria

A net está cheia de bons exemplos e de trabalho de qualidade.

Não volto a Leiria sem pensar duas vezes na vasta informação disponível neste site.

Mesmo que o resto não fosse interessante o logo é lindissimo.



quarta-feira, maio 23, 2007

Paeonia broteroi Boiss. & Reuter

Esta é uma espécie mitica. Sempre a procurei e sempre me fugiu, nunca tive a oportunidade de
observar a floração.
E que espectáculo perdi estes anos todos.
Até que, finalmente, durante um passeio em BTT na Serra de Montejunto tive a oportunidade de a observar em todo o seu esplendor.
A Rosa Albardeira (Pt) ou Rosa Maldita (Es) devido à sua toxicidade quando usada em medicina tradicional.
É uma planta rizomatosa, que possui uma folhagem de um verde escuro lindissimo e floresce de Abril a Junho, apresentando flores vermelhas, grandes (até 10cm) que chamam a atenção pela sua vivacidade.
A designação científica homenageia um dos maiores botânicos portugueses: Avelar Brotero.


As fotos que aqui coloco, não lhe fazem justiça. Deixo três links que adicionam informação aos interessados, com especial enfâse ao primeiro, que para além de colocar online umas fotos fantásticas, tem um texto do melhor que há (não percam).

http://refoista.blogspot.com/2007/05/flores-do-maio-adelfas-e-rosas.html
http://serra-da-adica.blogspot.com/2006/06/paeonia-broteroi.html
http://waste.ideal.es/peonia.htm

quinta-feira, maio 03, 2007

Orchis coriophora L.

Durante um passeio de BTT, na zona de Cabrela, Sintra.

Esta é uma espécie inconfundível. Existem duas sub-espécies e, confesso, tenho muitas dúvidas sobre a cassificação destes exemplares. Volto a este assunto com mais tempo.
Entretanto taxonomia à parte, é uma planta muito bonita, que surge em prados em solos calcáreos e neste local em particular formava extensas manchas muito bonitas.
Outras espécies observadas: Anacamptis pyramidalis (L.) L.C.M. Richard; Neotinea maculata (Desf. Stearn; Ophrys fusca Link

quarta-feira, abril 18, 2007

Imperdível

Quem perder a colecção, é porque anda muito distraído e não é preciso.
O Público edita uma colecção de nove volumes dedicados à Floresta Portuguesa, que inclui um guia de campo de árvores e arbustos.
Eu sei que isto é publicidade mas uma colecção como a apresentada aqui, tem de ser minha. Façam o mesmo.




segunda-feira, abril 16, 2007

Orchis papilionacea L.

As orquídeas sempre foram uma paixão e as que ocorrem espontaneamente nos nossos campos não fogem à atracção que exercem, pelo exotismo, pela elegância e pelas formas que possuem.
Este ano, com o pretexto de fazer geocaching, aproveitei para registar as observações no google earth, e acabei por realizar observações fantásticas.

Antes de publicar a lista completa de espécies observadas, aproveito para mostrar uma novidade (na minha lista de observações), observada no PN Arrábida no dia 15 de Abril. Uma Orchis papilionacea L., planta que já procurava há algum tempo.

Neste dia observei ainda: Orchis morio subsp. picta Loisel; Ophrys lutea (Gouan) Cav.; Ophrys fusca Link in Schrader; Ophrys speculum Link in Schrader; Ophrys vernixia Brot.; Ophrys scolopax Cav.; Ophrys bombyliflora Link in Schrader e Serapias sp.

segunda-feira, abril 09, 2007

Dias com árvores

Um blog com este nome só podia ser coisa boa.
A primeira impressão foi fantástica. Vão por mim e façam-lhe uma visita porque de facto o blog merece-o.
As referências às árvores classificadas são muito interessantes e muito bem documentadas. Sigam o link.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Granja dos Serrões

Para mim será sempre a Pedra Furada. A minha primeira saída de campo, no primeiro ano do curso de Biologia, guiado pelo Prof. Fernando Catarino, ficou-me gravada na memória de forma indelével. Esta e as outras que se seguiram.

Em mais nenhum lugar as pedras e as plantas se relacionam de forma tão "sensual".



Em todo o caso é uma pena o estado actual do sitio, com lixo e entulhos despejados nas duas entradas principais, que impedem um acesso seguro e confortável ao local. E este merece.


A região entre Pêro Pinheiro, Granja dos Serrões , Maceira, Pedra Furada e Negrais é uma zona de elevado valor patrimonial, geológico e ambiental, em que se podem observar formações rochosas muito curiosas, esculpidas pelo tempo e pela erosão causada pelos agentes atmosféricos (lapiás). É também importante pelo valor comercial das rochas ornamentais aí extraídas.
O campo de Lapiás da Granja dos Serrões é um geomonumento, classificado.

Aqui para além dos blocos de calcáreo do cretácico, com rudistas do Cenomaniano superior, podemos observar inúmeras espécies vegetais que ocupam todos os nichos disponíveis. As heras (Hedera helix ...) são únicas no abraço que exercem sobre os blocos.
Observe com atenção as espécies que ocupam as rochas, nas diferentes faces e exposições. Há uma surpresa em cada recanto. Nesta altura do ano, floresce a Hyacinthoides hispanica, no solo, em fissuras e depressões nos blocos. A flora rupícola, de pteridófitos e briófitos é riquissima.










Granja dos Serrões karren field [Sintra] - GCHJ8R

http://centro-geologia.fc.ul.pt/actividades/calcarios_cretacicos_de_negrais-pedra_furada.htm

terça-feira, janeiro 16, 2007

Oxalis pes-caprae L.

Esta pequena planta é uma bem sucedida invasora! Podemos vê-la praticamente por todo o lado, nomeadamente espaços e incultos agrícolas, formando densos tapetes verdes, polvilhados de belas flores amarelas que criam um impacto visual de grande beleza.



São plantas bolbosas (geófitos), pelo que a sua presença se torna evidente a partir de Dezembro, florindo continuamente até meados de Maio.



É uma planta, originária da África do Sul, de introdução bastante antiga (talvez para ornamentação de jardins) que produz inúmeros bolbilhos, que se fragmentam e que constituem o principal meio de dispersão da planta. Estes bolbilhos são dispersos quer por acção mecânica provocada por máquinas agrícolas, quer por acção de roedores.



Apesar de muito visitadas por insectos polinizadores, eu pessoalmente, nunca vi indicios de reprodução sexuada.



As plantas da família contêm grandes concentrações de ácido oxálico o que lhes confere um sabor amargo/azedo muito apreciado. A designação do género Oxalis deriva do grego OXIS - ácido.


Os miúdos, e julgo que a maioria já experimentou, chupam os pecíolos das folhas deliciando-se com a acidez do suco. Refira-se que em grandes quantidades pode provocar toxicidade.


Para saber mais:

  • Centro de plantas invasoras da Univ. Coimbra - aqui

  • Plantas da África do Sul - aqui

sexta-feira, novembro 10, 2006

Narcissus bulbocodium L.

O meu ano vegetal começa invariavelmente com o Outono, não existe lógica neste calendário, mas sinto-me sempre atraído quando vejo emergir a floração das monocotilédoneas da nossa flora.

Todos os anos me acontece o mesmo. O trabalho submerge-me entre papéis e outras questões e de repente enquanto passeio a pé ou de bicicleta surge-me pela frente as primeiras Scilla autumnallis, Leucojun autumnallis e os Crocus e também eu me sinto rejuvenescer.

Os Narcissus bulbocodium L. "Campainhas do Monte" surgem um pouco mais tarde, mas são lindos e servem na perfeição para ilustrar a série de posts que pretendo iniciar referentes à Flora de Portugal.

domingo, outubro 22, 2006

NHM


Adoro ilustração botânica. Ainda me recordo da exposição que montamos no Parque, à alguns anos, da Flora da Colômbia.
Mas não há como os ingleses para fazerem brilhar as preciosidades que detêm nos seus cofres. Quem tiver oportunidade não deixe de visitar o Natural History Museum e se essa oportunidade não existe, optem por navegar nas suas exposições online.
Entre estas está disponível uma exibição dos desenhos botânicos obtidos na viagem do HMS Endeavour entre 1768-1771.
Na imagem do lado: Eugenia Jambos Linn. recolhida e desenhada na Ilha da Madeira.