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sexta-feira, novembro 23, 2012

Move

Agora que o GEM fez um belo Congresso de Fotografia Técnica em Gruta, o que para aí anda mais nas grutas é tripés e sacos cheios de material fotográfico ... e flashes, muitos flashes, muita luz.

E de facto estão a sair dali muitas e boas imagens que serão objecto de uma exposição final no dia 15 de Dezembro em ... vejam bem o meu destino ... Monsanto, Lisboa, mais precisamente no espaço onde passei mais de uma boa dezena de anos (bons) da minha vida.

No entanto existe algo que não gosto. São aquelas imagens paradas de espeleólogos em sentido, com as luzes escondidas, invariavelmente de costas, mas que me parecem ilógicas e estranhas.

Por isso numa das ultimas saídas, no decurso de uma visita ao Algar do Pena, decidi ser também figurante nas fotos da Marta. É caso para dizer, obrigado Marta pela paciência.

As primeiras são deste tipo. a meu pedido. Queria aparecer iluminado com toda aquela superfície negra, que não é mais do que o magnífico volume que o algar possui. Fiquei bem na foto, mas ...


É isto que gosto


A Marta talvez ache que lhe estraguei a fotografia, mas gosto de ver o movimento da luz. É claro que aqui foi completamente descontrolado mas com maior controlo de movimento talvez resultem fotos mais dinâmicas.

As fotos são da Marta Borges e eu sou o magnífico modelo. A gruta é o Algar do Pena na Serra d e Aires e Candeeiros.

terça-feira, novembro 06, 2012

Desta vez vi a Fórnea ... quase.

Em mais uma actividade do GEM (Curso de nível II de 2012), tive finalmente a oportunidade de me abeirar do topo da Fórnea. Pensava eu que pela primeira vez, sim, pela primeira vez, teria oportunidade de ver a enormidade daquele acidente geológico. Ainda não foi desta. A neblina enchia a "depressão" e só a espaços nos deixava ver o que se passava lá em baixo.


Também pela primeira vez desci o Chou Jorge, de má memória pois da ultima vez que estive lá à beira do poço de entrada, estava de joelho ligado, inchado e destroçado. Foi no dia em que não fiz o exame de espeleo ("chumbei" por falta técnica - pois parece que é preciso ter os joelhos todos a funcionar para descer uma vertical de 40m).

Esta descida ao Chou Jorge deu-me algo que estava a precisar na espeleo. Autonomia. Gostei sobretudo de perceber que as pessoas confiam em mim e isso quando desenvolvemos uma actividade arriscada, espectacular mas com muitos riscos, é uma sensação fantástica.

O poço de entrada não fica a dever nada ao da Arroteia, mas já não assusta, quer para baixo e mais importante ainda, quer para cima. Aquela sucessão de poços e corrimões, com fraccionamentos de esquina suspensos no vazio são espectaculares e decerto deixaram uma impressão fantástica na mente daqueles alunos (um abraço ao Rui Andrade pela magnífica equipagem). 
A parede oposta à via de descida, que tem praticamente a altura de todo o algar é uma das mais bonitas que já vi. Um fluxo calcitico de enorme beleza que deixa qualquer um de boca aberta.

Eis um algar que merece uma visita mais prolongada, sobretudo para apreciar com cuidado e a atenção merecida os níveis inferiores da cavidade.

Aspecto da parede do algar oposta à via de descida. Um poço vertical de mais de 50m completamente coberto por um fluxo calcítico (flowstone) que forrava a parede de candelabros, alforrecas, bandeiras, e outras formas lindas e pristinas.

O Mauro (aluno do curso) a descer o P30 (?) de acesso aos níveis inferiores do algar.

segunda-feira, novembro 05, 2012

Palopes VI - Topografia

Esta é uma das coisa mais interessantes na exploração de uma cavidade. Pelo menos para mim.
Este sexto video do Bafo da Barata, perdão, da AESDA mostra o algum do trabalho envolvido.

A principal questão é ... onde está o ponto. Qual ponto? O ponto.


sábado, outubro 20, 2012

Palopes V - O fuuuuuuunnnnnnnndddddddoooooo

Está aqui muito trabalho, muita adrenalina e muita classe. Não é todos os dias que se leva um Sr. Presidente ao fundo.

Mais uma edição da série dedicada à exploração do Palopes.



quinta-feira, outubro 04, 2012

Palopes - Ecos III - O telefone

E a saga continua ... desta vez a tecnologia chegou ao Palopes. Um luxo, que nos permitia comunicar com quem explorava as profundezas e sobretudo uma animação para quem ficava à superfície pois o trabalho lá em baixo durava .... muito.
O instalador de serviço foi o Meira e a coisa não é que ... funciona!



Este e outros videos da exploração do Palopes, bem como da actividade da AESDA podem ser vistos aqui.

sexta-feira, setembro 28, 2012

Palopes - Ecos II - A Febre do Explorador

Eis o segundo da série. Muito desejados e cheios de vernáculo espeleológico, estes videos prometem não deixar ninguém indiferente.

Não deixe de os ver no canal youtube da AESDA.


sábado, setembro 15, 2012

Nas ... Ventas do Diabo

Nas duas visitas anteriores que fiz ao Mindinho, o que mais me atraiu e impressionou, foram as duas cavidades no topo da encosta de Minde ou Penas do Mindinho, e que muito adequadamente chamam de as Ventas do Diabo. Desta vez, decidi guardar um dos dias dedicado às campanhas do Mindinho para subir até lá cima e realizar uma breve prospecção. Dizendo-o de outra maneira, para passear e desfrutar.

Assim no sábado, 1º dia do Mindinho Campus lá fui, sob o olhar de gozo dos restantes que ficaram á sombra da Azinheira enquanto a bomba trabalhava sozinha, GPS na mão e com um único objectivo: Vencer a encosta acentuada, visitar as buracas e realizar alguma prospecção espeleológica.

Vista clássica. Lá em baixo, trabalha-se.
O dia ajudou. Calor mas sem ser em excesso pelo que a caminhada, apesar de ser exigente fisicamente, teve desse lado alguma ajuda. A encosta está muito intervencionada, cheia de socalcos, que suportam oliveiras centenárias, pelo que se consegue em muitos locais progredir em lanços de subidas suavizadas. É também impressionante a enorme quantidade de Pilriteiros (Crataegus monogyna) que povoam aquela encosta.

As buracas, logo que se atingem, impressionam pela dimensão. São de facto duas cavidades bem grandes embora não tenham uma continuidade para o interior de expressão significativa. São altas, largas e bem arejadas. São um oásis para andorinhas, andorinhões, pombos bravos e, muito provavelmente, rapinas nocturnas, que nidificam nas reentrâncias das paredes e tecto.

Quando estava na buraca maior, do seu lado direito, percebi uma passagem, resultante de uma derrocada e que subi até onde era possível. Nunca tinha estado num local com uma corrente de ar tão grande. Parecia um túnel de vento. Quando saí, decidi subir (escalar) a vertente das ventas por forma a encontrar uma eventual origem deste ar. De facto a meia encosta, desviado para a direita e depois de alguma ginástica, surgiu-me um algar (que designei por IP10) com uma boca de sensivelmente 1,5m e com descida vertical visível de 12/15m. Estava sozinho e a vertical era directa, sem apoios, pelo que me limitei ao registo.

 
O problema é sempre o mesmo. Não existem marcas de registo, spits, nada. Virgem? Quem pode saber? Será que é assim tão difícil surgir um esquema de marcação nas bocas dos algares de forma a que não seja possível a sua confusão? Por mim, marco todos. Por mim, marcava todos. Não gostam, apaguem!
A minha marca, apenas colocada nos que eu identifico em acções de prospecção tem a seguinte característica. São amarelos ou brancos (uso tinta de topógrafo, FIXOLID, fácil de retirar se necessário) com IP.xx em que xx é uma numeração sequencial que eu mantenho nas minhas observações. A marca é discreta e pequena, mas permite uma fácil identificação na aproximação. Não consigo entender o secretismo à volta das marcações, não consigo entender a enorme confusão que existe à volta da identificação e da partilha de coordenadas e pessoalmente enquanto me dedicar à espeleologia não contribuo para esse peditório (a não ser que me façam jurar segredo e me ameacem excomungar das associações com quem costumo realizar saídas de campo).

IP.11. acede a uma câmara de 2/3m2. Não vi continuação
No campo base, junto ao Mindinho, fiz o relatório e descrevi o IP.10 ao Orlando, que me falou de outros mas já no topo da crista e não na encosta. Incluindo um que acede ao tecto da segunda buraca, a maior, no que deve ser uma magnifica exploração. Quer isto dizer que na próxima saída ao Mindinho, vou ter de arranjar companhia para mais uma ascensão às Ventas do Diabo. Explorar e topografar o IP.10 e descobrir rapidamente o IP.12. O IP.11 é um buraquito no meio do lapiás, mas aprendi a não negligenciar buraquitos!

Outros temas de interesse neste passeio e que valem a pena referir e visitar são: a dolina de abatimento no topo da crista, enorme e que tem uma magnífica azinheira no seu interior, mesmo ao centro; o Penedo Padrão, um Mega Lapiás de dimensões bem grandes e a grande quantidade de sementes de Rosa Albardeira que colhi.












quarta-feira, setembro 12, 2012

Palopes, o algar, by Bafo da Barata productions

A malta da AESDA é assim ... divertida, multifacetada, experiente e muito animada. Não acreditam?

Este é um dos primeiros vídeos produzidos pelo Bafo da Barata que resultaram da exploração do Algar Palopes, intitulado "O Cabo já não vai mais", cuja topografia publicada em celebração dos 20 anos de actividade da Associação pode ser consultada aqui ou, se tiverem paciência para ler este post até ao fim, lá em baixo.
Este e outros vídeos podem ser vistos aqui (diz que é uma espécie de canal oficial da AESDA) e regista as peripécias na descida do Poço dos Sem Metros no dia 23/04/2011 pelo Bruno e pelo Cri.
Julgo saber que outros vídeos se seguem pelo que recomendo com prazer que os acompanhem ... é que as descrições prometem muita animação.


Para que fique aqui o registo, eu só desci 60 e picos metros e acho fantástico o trabalho desenvolvido pela equipa mais experiente da AESDA que fez as primeiras equipagens e exploração do algar e que acabou de tornar realidade esta adição ao património espeleológico do Parque Natural da Serra de Aires e Candeeiros.






segunda-feira, julho 16, 2012

Palopes ... o de carne e osso encontra o de pedra dura

Finally ... a tão esperada estreia no Algar Palopes. Desci integrado na equipa da AESDA (Meira, Nuno e Fátima) que tinha como objectivo rever e reequipar os dois primeiros poços. Não ajudei muito nessa tarefa, mas tive a oportunidade de perceber a real dimensão do achado e de ficar de olho arregalado. Está ali muito trabalho.
O Palopes, como já é do conhecimento geral é a cavidade conhecida mais profunda em Portugal, encontrando-se em exploração por parte da AESDA que procede a trabalhos de exploração, cartografia e estudo das suas características geomorfológicas.
Apesar de contar pouco para o que realmente é importante desta vez saí com um brilhozinho nos olhos.Obrigado Meira!

Na final do P2 a aproximadamente -60m
Na subida do P2. A expressão diz tudo ... tou velho para estas coisas mas muito satisfeito por ainda as ir conseguindo fazer .
ps. o fiozinho que se vê à direita é o cabo da linha telefónica para comunicação entre a superfície e fundo do algar.




Este blog é pessoal e não reflecte as posições e opiniões oficiais da AESDA, pelo que qualquer assunto relacionado com a exploração do Algar, deve ser efectuada junto dos orgãos directivos da AESDA.








segunda-feira, maio 28, 2012

Algar do Vale da Pena, palhinhas, cabras e um algar inexplorado para acabar o dia


Depois de uma primeira visita ao Algar do Vale da Pena ou Algar dos Ursos como também é comummente referido (Nalga, NEALC), voltamos este fim de semana com diversos objectivos em mente.
O primeiro foi terminar os levantamentos para produzir uma topografia. Apesar de insistentemente me dizerem que existe, o facto é que não a encontro. Por isso faço a minha/nossa e depois logo a comparo com a que existir e que há-de aparecer. Entre os outros devemos referir: Filmagens e fotografia; exploração da "palhinha"; observação mais cuidada da zona de deposição de areias.
Está em forma. Dá aulas de geologia, faz topografia ... etc.
E devemos dizer que fizemos tudo. Todos tiveram o seu quinhão de aventura e adrenalina, vivendo cada um à sua maneira a experiência de descer a este algar. A topografia ficou completa e os dados de campo irão dar origem a um "desenho" do algar, embora tenham surgido algumas dificuldades que exigem acertos pontuais.

Em todo o caso surgiram novidades e essas, pelo menos face ao conhecimento dos elementos da equipa, terão de ser novamente avaliadas e bem medidas. Salientamos os seguintes aspectos:
  • Realizou-se a escalada e a descrição de uma fenda na sala dos ossos, que produziu duas salas, pequenas. A escalada fez-se em oposição vencendo um desnível de sensivelmente 5m;
  • Durante a topografia, identificou-se uma chaminé, no salão central, na direcção da galeria terminal dos lagos, com duas progressões possíveis. Uma no topo de uma chaminé que exigirá algum (muito) esforço de escalada, a outra, que parece desenvolver-se horizontalmente e que implica uma escalada de 6/7m;
  • Na descida da palhinha (na falta de melhor chamo-lhe assim, mas devíamos começar a encontrar nomes para estas coisas) que nos deu 41m (medição com fita métrica e com o ponto zero, 1m abaixo do topo da amarração), foi anotada uma passagem lateral (a 20m do fundo) que apesar de estreita, desemboca num poço de 2/3m de diâmetro e sem fundo visível).
  • Na sala do balcão avançou-se um pouco na continuação existente na base da sala, mas a eventual progressão depende de desobstrução. No fundo existe uma forte corrente de ar.
Sala do balcão. Note-se a inclinação.














Isto é, se pensarmos bem, ficaram mais pontas soltas que as que levávamos antes.  E tudo aponta para, pelo menos, mais uma deslocação, de gente mais expedita e experiente para explorar a continuidade encontrada na palhinha.

Por outro lado, e isso acontece com frequência quando vou para o campo, encontramos ... isso mesmo ... mais um algar. 
A história conta-se depressa e é igual a tantas outras. Um pastor (com a nuance moderna de nos aparecer num Range Rover) preocupado com as suas cabras, aborda-nos para ter a certeza que não levamos nenhuma no porta-bagagens e após dois dedos de conversa, lá nos diz os buracos que conhece. Para além do que acabamos de descer, fala-nos num que o Vitor reconhece logo como sendo a Lajoeira e de um outro ali perto onde costumava entrar de gatas quando era miúdo.
Acreditem, são 3x3m de boca ali debaixo das silvas!
É claro que fomos à procura. E é claro que encontramos. Não um buraquito onde se entra de gatas, mas um algar com uma boca de cerca de três por três metros, completamente coberta de silvas e outra vegetação bem densa. Após uma limpeza apressada, as primeiras pedras atiradas, pequenas, ficavam ali perto e não deixavam antever uma grande vertical. No entanto, o Luís resolveu atirar um calhau, de maiores dimensões e foi um ver se te avias a ouvi-lo rebolar por ali abaixo durante um bom bocado. Temos buraco ... para visitar rapidamente. Refira-se que não existem marcas de spits, etc, etc...

ed. 29Maio. O Vitor Amendoeira diz que se deve tratar do Algar das Gralhas (original não é?) em Moita do Poço. Agora falta obter mais informação para saber se se limpa a entrada e se se efectua uma entrada.

ps. continua por encontrar a gruta onde o pastor dizia brincar na infância.
pps: se me arranjarem a topografia da Gruta do Vale da Pena eu digo onde é que é esta.

segunda-feira, maio 14, 2012

Algar dos Ursos I



Só para aguçar o apetite para o artigo mais completo que se seguirá, deixo-vos aqui algumas fotos do algar dos Ursos, de autoria do Nuno Rodrigues. Esta saida tem, teve, inúmeros aspectos a merecerem destaque.
Mais uma vez saímos de lá com a sensação que queremos voltar.

Continuo a não gostar do que isto parece... mas se duvidam (sobretudo os que ainda não me conhecem destas lides), prometo tirar uma foto a sair deste ... hmm ... esfincter (?) . parece-me a palavra adequada. Se acham que é impossível, vejam a ultima foto deste post

Isto caiu tudo. Não é um caos de blocos. É um caos de estalactites e estalagmites concrecionadas.

One word - AMAZING - só lá estando. É a coluna mais bonita que já vi. Com uma textura em filigrana absolutamente bonita.

Quem terá feito tremer a coluna?

Como é que eu perdi este pedaço da gruta. Vêm porque quero lá voltar!
Não, não sou eu! É outro maluco qualquer. Podem vê-los aqui.



quarta-feira, março 21, 2012

Vida dura no campo

Participei no ultimo fim de semana em mais uma actividade de prospecção e exploração de cavidades numa das novas áreas alvo do grupo. Durinho qb, já que estes buracos, que o são apenas potencialmente, não se revelam com facilidade.

O primeiro, um pequeno algar cuja exploração está no inicio, muito obstruído, deu-me para mais de uma hora de trabalho duro. É um pequeno algar, que promete uma continuação na sua base, mas que está totalmente obstruído. Baldes de terra e pedras de dimensões razoáveis foram sendo retiradas até chegar ... a um bloco que nem que eu comesse os espinafres do Popeye de lá saía. Depois de algum tempo a dar no duro, deixei o trabalho para os restantes e saí para arejar.


Lá fora novamente, resolvi explorar as redondezas. A zona é muito bonita, com uma vegetação muito interessante e com muitos motivos de interesse. Sensivelmente 10m ao lado vejo um pinheiro derrubado e na sua base ... um buraco, grande. Nem queria acreditar.

Andei eu a tirar terra e pedras e aqui a 10m tenho uma gruta. Fiz uma exploração rápida para ver se valia a pena chamar os outros que estavam a tentar tirar o bloco que impede a continuação no primeiro buraco e de facto, valia a pena.  A gruta apesar de ser conhecida (algumas estalactites partidas provam-no) tem uma continuação possível, a que nós dedicamos o resto do tempo disponível. Progredimos cerca de seis metros num meandro estreito e registamos os trabalhos como a necessitarem de continuação. Deixo aqui os meus desenhos de campo: um esboço da planta e dois perfis.

Esta gruta deve ter estado tapada durante algum tempo. Provavelmente a queda do pinheiro (na sequência de um fogo?) provocou o desabamento dos detritos que obstruíam a entrada. Vai precisar de olhos bem mais experientes que os meus para que os seus segredos sejam totalmente desvendados. Mas se eu continuar a descobrir buracos a este ritmo ...

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

Algar da Arroteia revisited

A minha 1ª visita à Arroteia deixou marcas. Por isso, desta vez, apesar de ter o curso de nível II no papo e de ter melhorado a técnica de subida, já ia bem preparado mentalmente para a subida final de 47m. Coisa pouca para alguns, mas ainda assim, desafiadora para mim.
Depois de mais de 8 horas de exploração na galeria fóssil e com a adrenalina a subir posso dizer que estou pronto para o próximo nível. As subidas e descidas na corda, com desviadores e fraccionamentos já não me colocam qualquer tipo de problemas.

Desta vez fui com um objectivo bem definido. Integrar uma equipa de quatro espeleólogos que para além de explorar alguns recantos da galeria fóssil, tinha a função de apoiar o António que queria escalar a parede terminal da galeria, de forma a atingir a passagem que se vislumbra lá no alto e que surge desenhada na topografia. Infelizmente, tal não foi possível, mas o trabalho de preparação da progressão para as próximas visitas levou um grande avanço.A galeria fóssil (assim designada por oposição à que apresenta um fluxo de água permanente) é de facto muito bonita e tem inúmeros aspectos de interesse. Gostei muito de rever a sala da corda antiga, que desta vez não nos impediu de continuar. A falta de água na superfície tem aqui algum impacto, já que os sifões identificados na topografia estavam todos acessíveis e pudemos com facilidade atingir o final da galeria topografada. Aqui, na sala terminal, já existia um pequeno lago na sua parte mais baixa e a continuação possível (e visível) é uma passagem a cerca de 12m de altura que será alcançada na próxima visita.
O que me impressiona nesta parte da Arroteia é a verticalidade da galeria. Paredes muito altas, lisas, com poucas formações,  permitem uma progressão fácil e arejada.
Ao contrário do que acontece no inicio da galeria em que temos de progredir apertados e que é uma verdadeira armadilha para material. A meio da galeria deixei cair uma corda, que parvamente não ia dentro de um kitbag, que só parou 5m lá em baixo numa fenda inacessível. Com muito engenho eu e o Nuno demos uso aos protectores de corda da Petzl e lá conseguimos recuperar a corda ... são estas coisas que nos relembram sempre que a concentração nestes ambientes deve estar no máximo ... sempre.

Por falar em apertado, no regresso, surgiu-nos pela frente na sala terminal a entrada da galeria inferior que liga as duas salas e que costuma estar inundada. Como só tinha água nos pés, fizemo-la toda. Aqui tivemos alguns apertos laterais mas é uma galeria bem divertida.

A Arroteia terá decerto mais visitas!

Ressalto de 3m na sala final
Sala da corda antiga
This is the end!













 

Equipa: António Devile (equipagem); Nuno Rodrigues, Telmo Miguel e Paulo Lopes (sherpa de mãos de manteiga).











segunda-feira, outubro 24, 2011

Algar da Arroteia

Diz que é um clássico. Seja como for, este é um daqueles destinos para os quais existe muita informação prévia. 
in Thomas, C. (1985) Grottes et Algares du Portugal.
Para além a descrição da exploração em Thomas, C. (1985), existem muitas fontes com fotos e textos (aqui exploração de um grupo inglês; aqui a génese do NALGA e até mesmo aqui). No seu conjunto permitem, alguma previsão do que se vai encontrar. A equipa era composto por cinco elementos, eu, o Nuno e Gonçalo (que se responsabilizaram pela equipagem - mais uma vez bem feita diga-se de passagem) e ainda o Tiago e a Silvia.

 


Mas mesmo com "croquis" e com companhia que repetia o algar, existem sempre novidades e até mesmo algumas surpresas. O poço de entrada tem 45 m de vertical directa até à base, desce-se em segundos (na subida parece não ter fim), e a base do poço impressiona pela verticalidade das paredes. Aqui a 45 m de profundidade, a presença de salamandras e de sapo comuns, apesar de aguardada, não deixa de espantar face à distância da superfície. Sobretudo para os Bufo bufo (aparentemente um casal).
A passagem no P15 seguinte impressiona pela presença de blocos entalados ao longo da parede do poço e que parecem estar em periclitante equilíbrio. Esta visão tornar-se-à uma constante em diversos locais da diaclase que percorremos. 
No final da sala do P15 a primeira surpresa.
O rio que corre normalmente neste local, que alimenta as nascentes do rio Lena, alguns km a Norte, estava parado. De tal forma que por mim teria seguido pela galeria da direita, já que de acordo com o que pude observar estava sequinha. Uma observação mais atenta mostrou que estava era cheia de água, tão limpida e imóvel, que quase não se percebia a sua existência ... só depois de lhe colocar um joelho em cima.

Meandro de acesso à cascata
Neste local tivemos a primeira surpresa. Quando descemos, aproveitei para desenhar a base do poço. Pasme-se que as minhas leituras da bússola são exactamente opostas à que consta na planta do Thomas. Existem duas hipóteses: 1ª o desenho no Thomas tem o Nm invertido; 2ª eu não sei ler uma bússola - nenhuma delas é fácil de aceitar e as implicações de qualquer uma delas são mais ou menos sérias, por isso fiquemo-nos por agora pela segunda hipótese, mas prometo que quando lá voltar não deixo esta questão por esclarecer. O facto é que para orientarmos correctamente a planta temos de a inverter no local. Só depois de alguma polémica é que ajustamos o desenho ao que observávamos no local.
Polémicas à parte enfiamo-nos pelo meandro que acede à cascata, que tinha água em poças límpidas (que diferença em relação ao Mindinho) e que não colocava quaisquer dificuldades na progressão. Deve ser engraçado passar ali com um volume de água maiorzinho.
Detalhe da galeria fóssil.
No cimo da cascata escolhemos a galeria que corresponde à ribeira fóssil, (a bem dizer ninguém deu pela passagem à direita, à mesma altura e que dá acesso à galeria fóssil mais pequena) que percorremos em toda a sua extensão, até à sala que implica a execução de uma pequena escalada (. A galeria é linear e as passagens mais ou menos fáceis de encontrar e transpor. Um estreitamento antes da sala da escalada pareceu-me um dos apertos mais difíceis. Foi aí que a equipa se partiu. O Tiago não se sentiu à vontade para forçar a passagem e nós decidimos não prolongar a exploração do outro lado, deixando-o sozinho à nossa espera.
Neste local a diaclase é bem generosa. São pelo menos 3 m de largura e uns bons 15m de altura de paredes lisas e muitos blocos, de grandes dimensões, entalados em vários níveis. De acordo com o Gonçalo, esta sala pode tornar-se um lago com cerca de 80cm de altura. Mais uma razão para lá voltar.

Progressão na galeria fóssil
A escala da planta do Thomas é outro problema. As galerias perdem muito detalhe no desenho. Pelo menos a zona central merecia um desenho numa escala menor, se é que já não existe. Mas agora, depois de lá ter estado, percebe-se melhor o texto, sobretudo onde procurar a passagem para a outra galeria fóssil.

Já não fizemos a descida da cascata e muito menos a exploração da galeria activa. Esta ultima, pelo facto de a ninguém apetecer uma molha depois de seis horas em gruta, nem que fosse para perturbar as águas.

Por isso fomos logo para o calvário da subida. Eu que pensava já ter a técnica dominada, tive de rever a minha opinião. Não domino nada! Fiquei super surpreendido pela elasticidade da corda. Não estava mesmo nada à espera de tanto balanço e usá-lo a meu favor é coisa que ainda não está ao meu alcance. Por isso os primeiros 10m foram um suplício em que a sensação de não sair do sitio era mais forte do que a sensação de estar a subir. Mas cheguei ao topo, saí e ... esparramei-me logo pelo chão com as pernas e os braços aos gritos a recuperar do esforço. Da próxima vez corre melhor.

Uma visita a repetir.

segunda-feira, setembro 12, 2011

Mindinho II

Mais uma visita ao Mindinho, desta vez para auxiliar o Mendes na passagem de um sifão no final das galerias exploradas nas anteriores visitas.
Carregar aquela quantidade toda de equipamento através das galerias não é fácil, mas aquilo é quase como um parque de diversões aquáticas. E esta é, ou pelo menos parece-me, uma gruta pequena em extensão (365m na topografia publicada acrescidos dos cerca de 200m percorridos percorridos entre o S7 e o S8).
Os lagos sucedem-se, bem como as cascatas em poços de altura diversificada, muita argila depositada em sifões e remansos, calhaus rolados em zonas de maior hidrodinamismo e algumas áreas de rocha nua e de arestas afiadas pela força da água. Muito , mas mesmo muito divertido e interessante.
As fotos seguintes são da primeira visita em que participei.
Antes. da esquerda para a direita: A. Mendes, N.Rodrigues, M. Costa, João e P. Rodrigues

Ali trabalha-se. Colocação em carga do tubo que iria retirar a água do sifão (S7) permitindo a passagem em seco nas visitas seguintes.

Galeria inundada no S7. Foi mais ou menos assim que a passamos depois de retirada a água.
Depois .

quinta-feira, setembro 08, 2011

Mindinho

Topo in NALGA
O convite chegou, inesperado, mas aceitei-o imediatamente (obrigado Paulo, obrigado Nuno). Tratava-se de acompanhar um grupo que tem participado activamente na exploração de diversas grutas e algares e que precisava de ajuda no apoio a uma equipa de mergulhadores para uma exploração na gruta do Mindinho. Para além do equipamento usual disseram-me para levar o fato de mergulho.

E só posso dizer que foi um espectáculo. E que me preparo para a terceira visita.

A gruta não é grande, mas é suficientemente desafiadora para que a tenha abordado com todos os cuidados. A primeira, realizada no dia 20 de Agosto, foi para mim uma estreia neste tipo de cavidades. Muita água e muita lama tornaram-na mesmo uma estreia fantástica.

O objectivo desta visita era verificar o estado dos sifões que tinham sido entretanto esvaziados e drenar um novo sifão após a respectiva exploração pelo mergulhador (o S7 no topo anexo - original aqui). A progressão foi fácil, mas logo no inicio, na travessia de uma galeria bem baixa (S1 - um antigo sifão, agora vazio) a lama fez a sua gloriosa aparição. Perdi logo ali qualquer esperança de me manter seco e limpo ... 

Na passagem do primeiro poço (um P8), desci directamente para um pequeno lago. Foi interessante já que como não vi por onde seguiram os colegas que me antecederam, saí da corda mesmo no meio do lago e tive oportunidade de perceber que tem cerca de 1,30 de profundidade (bendito fato de mergulho). É claro que havia forma mais fácil e menos molhada, porque lateralmente existiam umas pedras submersas que permitiam atravessá-lo sem o mergulho. Serviu de praxe...

A gruta terminava no sifão que se pretendia ultrapassar. O mergulhador (António Mendes do NEUA) fez a exploração trazendo notícias de várias dezenas de metros de galeria seca depois do sifão, pelo que os olhos de todos brilharam com a expectativa.

A visita de 3 de Setembro teve como objectivo ultrapassar este obstáculo e explorar/cartografar as galerias seguintes. Desta vez fui integrado numa equipa liderada pelo Orlando Elias que tinha como função seguir bem rápido até ao sifão (desta vez não mergulhei no poço) ultrapassá-lo e explorar as galerias seguintes preparando-as para a equipa que iria realizar os levantamentos topográficos.

O sifão tinha enchido e tínhamos 10/15cm livres acima da linha de água na galeria . Mais uma estreia. Mas a sensação de passar para um local que muitas poucas pessoas tiveram o privilégio de pisar, a sensação de estar a contribuir para a exploração de um espaço que se tem mantido inacessível ultrapassa tudo. Não descrevo mais acerca do que vimos mas recomendo vivamente que para acompanharem a descrição dos trabalhos, com a cartografia e a lista de todos os participantes nestas visitas leiam o site dedicado a este tema no blog do NALGA.






quarta-feira, julho 27, 2011

Algar da Marradinhas II

Visita - 23 de Julho 2011
Folha 318 IGE ed. 2004 - Mira de Aire (Porto de Mós)
Coordenada -


Equipagem: 1 Corda de 30m - poço de entrada e apoio até à galeria; 1 Corda de 80m - poços sucessivos no Meandro, sempre com AN.

O Algar da Marradinhas II tem fama de algar vistoso e realmente temos de dar a mão à palmatória. Tem inúmeros aspectos a observar, uma dimensão bem razoável e um estado de conservação muito bom.Tudo junto teve como consequência que a sua exploração forneceu-me mais um record. O meu maior tempo de permanência no interior de um algar. Está agora em cerca de 8h.
O Nuno na saída do algar
O Algar não exige tanto tempo para a exploração completa, mas eu ainda estou a adquirir competência e mobilidade na exploração, pelo que gastamos muito tempo na equipagem e na exploração propriamente dita. Isto é, andamos a aprender e sem pisar o risco em termos de exigência técnica e física.

A entrada do Algar é mais agreste que a do "Zé de Braga". A ausência de vegetação arbórea e arbustiva a protegê-lo, bem como a sua reduzida dimensão devem ser as razões pelas quais não se observaram anfíbios no seu interior). Se para estes simpáticos animais a entrada (acidental) no algar é difícil, para nós também deu algum trabalho. Refira-se que fizemos a entrada mais fácil. Evitamos o P19. Para dizer a verdade, mesmo não contando fazer a sua descida, não demos com o acesso ao seu inicio no final do P6 de entrada, isto apesar de levarmos connosco o croqui do algar publicado por Fernandes, J. e Canais, F. (1999).
Montamos o campo base na Sala do Refeitório e fizemos a partir daí 3 raids: Para Oeste a Sala Grande; para Este as Salas dos Cristais, Tubiformes e Galeria das Argilas; e para Norte o Meandro.

Pelo meio um belo almoço, com muita água (e não só) e um belo café quentinho que, apesar do aspecto manhoso dos grãos, soube melhor que todas as bicas da ultima semana. Grande ideia Nuno!

Espeleotemas: Maças
Na Sala Grande, avisados pelo erro de interpretação do croqui no Algar do Zé de Braga, gastamos muito tempo a descobrir a passagem para um nível de argilas no final da sala. Existiam inúmeras hipóteses, mas a que nos pareceu mais fácil obrigou-me a, pela primeira vez, espalmar-me sobre uma passagem de argilas de tal maneira que sujei o meu "rodcle" novo todo (não se faz). Mas a passagem revelou-se bem interessante, pois no seu final, aprecia um gour cheio de água e um gour fóssil com umas formações super interessantes (ver foto). Ainda não tinha estado num nível colmatado por argilas. Fica-se com uma ideia muito diferente sobre o que é a "terra rossa".

O Meandro é um paradoxo. Os primeiros níveis apresentam paredes concrecionadas, lisas, com um crescimento bem activo. O nível mais baixo apresenta um calcário em dissolução forte, com fendas profundas, arestas muito vivas e intimidantes. Não exploramos na sua totalidade esta parte do Algar, o Nuno ainda desceu o ultimo poço identificado no croqui, mas não avançou para as ultimas galerias. O tempo esgotava-se, os 90% de humidade já se faziam sentir e apesar de uns frescos 17C o cansaço instalava-se e, "last but not least", o meu frontal resolveu entrar em greve (mais um erro - as pilhas suplentes ficaram no refeitório) na precisa altura em que o Nuno descia o ultimo poço. Mudei para o frontal de reserva, mas o principal voltou a trabalhar a meio da ascensão. 

Este é um algar que merece de facto uma visita. Nós decerto voltaremos pois ficaram alguns aspectos por observar e algumas galerias por explorar


Aspecto do exterior na boca do algar. Olival bem aberto.

Espeleotemas: derreteram a couve flor ?



sexta-feira, julho 22, 2011

Grutas e Algares visitados

A exploração de pequenas cavidades surgiu por brincadeira, mas tornou-se rapidamente, como é meu costume, na minha principal actividade e as saídas de campo têm-se multiplicado. Existem muitas razões para gostar: longos percursos pedestres em áreas naturais; utilização de técnicas de progressão com cordas; fotografia; observação de fauna e flora, etc, etc...

Este post lista as cavidades que já visitei:

Montejunto

Algar do Javali
Algar do Escorpião
Algar das Fontainhas
Algar das Cabras
Algar do Moinho de Pau
Gruta dos 3 Moinhos
Gruta do Ralo

Planalto das Cezaredas

Gruta do Moleiro

Visitas: 10 de Junho 2011; 02 de Julho 2011
Grutas dos Ralis
Visitas: 10 de Junho 2011
Gruta dos Alfaiates
Visitas: 12 de Junho 2011

Serra d'El Rei

Algar de Bolhos

Maceira/Vimeiro

Gruta da Cova do Texugo
Gruta da Cova do Urso
Lapa do Sapateiro

Lapa da Rainha

Serra de Aires e Candeeiros
Algar da Bajanca
Algar dos Picos
Algar do Zé de Braga
Visitas: 16 de Julho 2011