Está aqui muito trabalho, muita adrenalina e muita classe. Não é todos os dias que se leva um Sr. Presidente ao fundo.
Mais uma edição da série dedicada à exploração do Palopes.
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sábado, outubro 20, 2012
sábado, setembro 15, 2012
Nas ... Ventas do Diabo
Nas duas visitas anteriores que fiz ao Mindinho, o que mais me atraiu e impressionou, foram as duas cavidades no topo da encosta de Minde ou Penas do Mindinho, e que muito adequadamente chamam de as Ventas do Diabo. Desta vez, decidi guardar um dos dias dedicado às campanhas do Mindinho para subir até lá cima e realizar uma breve prospecção. Dizendo-o de outra maneira, para passear e desfrutar.
Assim no sábado, 1º dia do Mindinho Campus lá fui, sob o olhar de gozo dos restantes que ficaram á sombra da Azinheira enquanto a bomba trabalhava sozinha, GPS na mão e com um único objectivo: Vencer a encosta acentuada, visitar as buracas e realizar alguma prospecção espeleológica.
| Vista clássica. Lá em baixo, trabalha-se. |
As buracas, logo que se atingem, impressionam pela dimensão. São de facto duas cavidades bem grandes embora não tenham uma continuidade para o interior de expressão significativa. São altas, largas e bem arejadas. São um oásis para andorinhas, andorinhões, pombos bravos e, muito provavelmente, rapinas nocturnas, que nidificam nas reentrâncias das paredes e tecto.
Quando estava na buraca maior, do seu lado direito, percebi uma passagem, resultante de uma derrocada e que subi até onde era possível. Nunca tinha estado num local com uma corrente de ar tão grande. Parecia um túnel de vento. Quando saí, decidi subir (escalar) a vertente das ventas por forma a encontrar uma eventual origem deste ar. De facto a meia encosta, desviado para a direita e depois de alguma ginástica, surgiu-me um algar (que designei por IP10) com uma boca de sensivelmente 1,5m e com descida vertical visível de 12/15m. Estava sozinho e a vertical era directa, sem apoios, pelo que me limitei ao registo.
O problema é sempre o mesmo. Não existem marcas de registo, spits, nada. Virgem? Quem pode saber? Será que é assim tão difícil surgir um esquema de marcação nas bocas dos algares de forma a que não seja possível a sua confusão? Por mim, marco todos. Por mim, marcava todos. Não gostam, apaguem!
A minha marca, apenas colocada nos que eu identifico em acções de prospecção tem a seguinte característica. São amarelos ou brancos (uso tinta de topógrafo, FIXOLID, fácil de retirar se necessário) com IP.xx em que xx é uma numeração sequencial que eu mantenho nas minhas observações. A marca é discreta e pequena, mas permite uma fácil identificação na aproximação. Não consigo entender o secretismo à volta das marcações, não consigo entender a enorme confusão que existe à volta da identificação e da partilha de coordenadas e pessoalmente enquanto me dedicar à espeleologia não contribuo para esse peditório (a não ser que me façam jurar segredo e me ameacem excomungar das associações com quem costumo realizar saídas de campo).
No campo base, junto ao Mindinho, fiz o relatório e descrevi o IP.10 ao Orlando, que me falou de outros mas já no topo da crista e não na encosta. Incluindo um que acede ao tecto da segunda buraca, a maior, no que deve ser uma magnifica exploração. Quer isto dizer que na próxima saída ao Mindinho, vou ter de arranjar companhia para mais uma ascensão às Ventas do Diabo. Explorar e topografar o IP.10 e descobrir rapidamente o IP.12. O IP.11 é um buraquito no meio do lapiás, mas aprendi a não negligenciar buraquitos!
Outros temas de interesse neste passeio e que valem a pena referir e visitar são: a dolina de abatimento no topo da crista, enorme e que tem uma magnífica azinheira no seu interior, mesmo ao centro; o Penedo Padrão, um Mega Lapiás de dimensões bem grandes e a grande quantidade de sementes de Rosa Albardeira que colhi.

O problema é sempre o mesmo. Não existem marcas de registo, spits, nada. Virgem? Quem pode saber? Será que é assim tão difícil surgir um esquema de marcação nas bocas dos algares de forma a que não seja possível a sua confusão? Por mim, marco todos. Por mim, marcava todos. Não gostam, apaguem!
A minha marca, apenas colocada nos que eu identifico em acções de prospecção tem a seguinte característica. São amarelos ou brancos (uso tinta de topógrafo, FIXOLID, fácil de retirar se necessário) com IP.xx em que xx é uma numeração sequencial que eu mantenho nas minhas observações. A marca é discreta e pequena, mas permite uma fácil identificação na aproximação. Não consigo entender o secretismo à volta das marcações, não consigo entender a enorme confusão que existe à volta da identificação e da partilha de coordenadas e pessoalmente enquanto me dedicar à espeleologia não contribuo para esse peditório (a não ser que me façam jurar segredo e me ameacem excomungar das associações com quem costumo realizar saídas de campo).
| IP.11. acede a uma câmara de 2/3m2. Não vi continuação |
Outros temas de interesse neste passeio e que valem a pena referir e visitar são: a dolina de abatimento no topo da crista, enorme e que tem uma magnífica azinheira no seu interior, mesmo ao centro; o Penedo Padrão, um Mega Lapiás de dimensões bem grandes e a grande quantidade de sementes de Rosa Albardeira que colhi.
quarta-feira, setembro 12, 2012
Palopes, o algar, by Bafo da Barata productions
A malta da AESDA é assim ... divertida, multifacetada, experiente e muito animada. Não acreditam?
Este é um dos primeiros vídeos produzidos pelo Bafo da Barata que resultaram da exploração do Algar Palopes, intitulado "O Cabo já não vai mais", cuja topografia publicada em celebração dos 20 anos de actividade da Associação pode ser consultada aqui ou, se tiverem paciência para ler este post até ao fim, lá em baixo.
Este e outros vídeos podem ser vistos aqui (diz que é uma espécie de canal oficial da AESDA) e regista as peripécias na descida do Poço dos Sem Metros no dia 23/04/2011 pelo Bruno e pelo Cri.
Julgo saber que outros vídeos se seguem pelo que recomendo com prazer que os acompanhem ... é que as descrições prometem muita animação.
Julgo saber que outros vídeos se seguem pelo que recomendo com prazer que os acompanhem ... é que as descrições prometem muita animação.
Para que fique aqui o registo, eu só desci 60 e picos metros e acho fantástico o trabalho desenvolvido pela equipa mais experiente da AESDA que fez as primeiras equipagens e exploração do algar e que acabou de tornar realidade esta adição ao património espeleológico do Parque Natural da Serra de Aires e Candeeiros.
sexta-feira, agosto 17, 2012
As grutas do Planalto de Sto. António
O NALGA, criou uma página específica para a divulgação de grutas e algares do Planalto de Santo António. A primeira adição é a topografia do Algar do Cheira.
"Cheirem" o trabalho aqui.
"Cheirem" o trabalho aqui.
quarta-feira, agosto 15, 2012
Alenquer é assim ? Na ... só para doidos
Terça-feira, fim de tarde. Depois de um dia de trabalho nada melhor que uma aventura em ... Alenquer.
"No way" ... Alenquer? Não pode ser.
Mas pode. Destino - Lapa dos Morcegos.
Esta pequena gruta, numa pequena encosta, encaixada num vale torrencial e ao lado de umas captações de água da EPAL tem andado a ser seguida por um grupo de espeleólogos que estão a tentar tirar o máximo deste buraco.
O croqui tem vindo a crescer, com informação de cada vez que se visita a gruta e as crescentes insistências do Telmo para passar um sifão bem estreito tiveram finalmente sucesso.
A água baixou bastante e de facto o sifão é ultrapassável (podem-me ver no video - não editado - a sair do sifão) dando para uma sala estreita, alta e inclinada.
Enquanto topografavamos esta sala, cuja continuidade nos parecia ser apenas para baixo numa galeria inundada de belas dimensões (mesmo à medida de um mergulhozinho, embora a passagem de equipamento de mergulho naquele sifão não seja pêra doce), o Telmo (que está mesmo com vontade de chegar às muralhas do castelo) viu uma pequena passagem. Meti-me nela ultrapassando o Nuno por cima (atropelei-o) e fui por ali fora numa galeria talhada pela água, cheia de arestas e fácies aguçados.
No topo de uma pequena rampa, a surpresa - uma corda de sisal, amarrada numa formação servia de ajuda para a descida da rampa e continuava num pequeno meandro, a que o Nuno ainda tirou as medidas, mas que dado o adiantado da hora não tentamos explorar.
Ficam as perguntas. Quem anda aqui? Quando cá estiveram? Foram mais longe?
Para os mais interessados deixo o link para o site do Sistema Nacional de Monitorização de Recursos Hidricos, que possui informação muito útil para a compreensão desta e de outras regiões cársicas do país. Para os mais preguiçosos deixo também o link para a ficha 026 Sistema Aquífero Ota - Alenquer, uma publicação de 2000 do Instituto da Água.
Participaram nesta actividade: Célia, Pedro, Telmo, Nuno e eu.
segunda-feira, julho 16, 2012
Palopes ... o de carne e osso encontra o de pedra dura
Finally ... a tão esperada estreia no Algar Palopes. Desci integrado na equipa da AESDA (Meira, Nuno e Fátima) que tinha como objectivo rever e reequipar os dois primeiros poços. Não ajudei muito nessa tarefa, mas tive a oportunidade de perceber a real dimensão do achado e de ficar de olho arregalado. Está ali muito trabalho.
O Palopes, como já é do conhecimento geral é a cavidade conhecida mais profunda em Portugal, encontrando-se em exploração por parte da AESDA que procede a trabalhos de exploração, cartografia e estudo das suas características geomorfológicas.
Apesar de contar pouco para o que realmente é importante desta vez saí com um brilhozinho nos olhos.Obrigado Meira!
Este blog é pessoal e não reflecte as posições e opiniões oficiais da AESDA, pelo que qualquer assunto relacionado com a exploração do Algar, deve ser efectuada junto dos orgãos directivos da AESDA.
O Palopes, como já é do conhecimento geral é a cavidade conhecida mais profunda em Portugal, encontrando-se em exploração por parte da AESDA que procede a trabalhos de exploração, cartografia e estudo das suas características geomorfológicas.
Apesar de contar pouco para o que realmente é importante desta vez saí com um brilhozinho nos olhos.Obrigado Meira!
| Na final do P2 a aproximadamente -60m |
Este blog é pessoal e não reflecte as posições e opiniões oficiais da AESDA, pelo que qualquer assunto relacionado com a exploração do Algar, deve ser efectuada junto dos orgãos directivos da AESDA.
terça-feira, julho 03, 2012
Almonda
sexta-feira, junho 15, 2012
O verdadeiro Algar Azul
A propósito do nome atribuído ao Algar Azul, cuja desobstrução está em curso pelo GPS - Sicó e na qual participei durante a Festa da Espeleo, dei com este artigo, recente, do Espeleobloc em que a verdadeira sala azul aparece aos 200m de profundidade.
Nunca vi tal coisa (o que é normal diga-se) as formações são lindas devido à presença de hidrocarbonato de cobre (malaquite e azurite), que ""tinge" as formações da sala com cores magníficas. Vale a pena ler todo o artigo, aliás vale a pena acompanhar todo o blog que é de uma riqueza impressionante.
Ainda em relação a esta sala, é certo que a profundidade exige muita experiência, mas também é certo que toda a informação necessária para desfrutar desta maravilha está ali disponível. Não se podia aprender com eles?
![]() |
| Foto retirada de Espeleobloc. La sala blava de la torca de Juanin. 14 de Junho 2012 |
quarta-feira, junho 13, 2012
Maços, martelos e baldes só nos faltou a branca de neve e ... os diamantes.
| Humberto do GPS a explicar porque é azul ;) |
Depois
do soprador, depois de secarmos um bocado o fato ao sol, decidimos
acompanhar outro grupo que iria realizar uma sessão de desobstrução no
Algar Azul. Devo confessar que o nome engana um bocado e embora o Hugo
Neves do GPS me tenha explicado o porquê ... fiquei a pensar que é mais
para o ocre e barrento que azul.
Mas o facto é que (como percebi mais tarde) estas desobstruções têm sido de grande importância na exploração do sistema. Este algar, ainda pouco profundo, promete muito e percebe-se bem o investimento ali efectuado.
Que
me perdoem todos aqueles com os quais já andei a esburacar o chão mas,
esta foi a desobstrução mais profissional em que me vi envolvido nesta
minha curta carreira na espeleo. Tendas, martelos pneumáticos, um
gerador e muita quinquilharia para cavar e sobretudo muito entulho no
exterior mostravam claramente a intenção do GPS. Quando cheguei, já o
Timóteo do CEAE-LPN e o Costinha estavam no fundo a preparar a desobstrução, uma vez que os trabalhos tinham parado num bloco que entupia uma pequena diaclase. Nada que o martelo pneumático não resolvesse. O resultado de todo este esforço foi de mais
cinco metros em direcção ao fundo (atingidos num segundo dia em que já
não participei).
Mas o facto é que (como percebi mais tarde) estas desobstruções têm sido de grande importância na exploração do sistema. Este algar, ainda pouco profundo, promete muito e percebe-se bem o investimento ali efectuado.
| Lá em baixo trabalha-se com ganas. |
Nada de diamantes!
terça-feira, junho 12, 2012
Imersão no Soprador do Carvalho
Festa da Espeleo, Dia 1 de 4
Dia de viagem, de apresentações (és da AESDA, és do GEM, ficaram confusos os moços) e de imersão, literal, no sistema espeleológico do Dueça. Quase não houve tempo para respirar, já que logo após a montagem da tenda e antes mesmo de percebermos como seria o dia, ouvimos dizer "en passant" que iam montar uma escada no sector do Altar no Soprador do Carvalho.
Dia de viagem, de apresentações (és da AESDA, és do GEM, ficaram confusos os moços) e de imersão, literal, no sistema espeleológico do Dueça. Quase não houve tempo para respirar, já que logo após a montagem da tenda e antes mesmo de percebermos como seria o dia, ouvimos dizer "en passant" que iam montar uma escada no sector do Altar no Soprador do Carvalho.
Foi música para os nossos ouvidos e cinco minutos depois já estávamos prontos, eu e o Nuno, para acompanhar o Gustavo do GPS que liderou uma pequena equipa.
A entrada é um mimo, sobretudo pelo magnífico exemplar de Quercus faginea que dá o 2º nome à gruta. Julgo que justificava a classificação como árvore de interesse público o que (se é que ainda não foi feito), daria ainda mais valor ao conjunto. Na base do poço de acesso, que resultou da desobstrução de um pequeno buraco, o soprador, que está protegido por um pequeno abrigo fechado, e depois de uma passagem baixa abriu-se a galeria do rio Dueça e foi o delírio. As dimensões da galeria, a comodidade da progressão e a sensação de entrar num ambiente ímpar em Portugal fizeram o seu efeito.
| A galeria do rio Dueça. Ampla e larga em quase toda a sua extensão. Foto de Marta Borges numa outra saída. |
O Gustavo pelo seu lado mostrou-nos bem de que fibra é feita a malta do Sicó. 5 Estrelas , simpatia e muito companheirismo. Ficamos logo ali a perceber que os dias do encontro seriam, de facto, palco de muitas actividades especiais.
Percorremos toda a galeria até ao sifão terminal, um belo lago subterrâneo de água límpida e apetecível, mas que aparentemente, tem sido impossível de transpor. A progressão é simples, sobretudo com o nível de água tão baixo, embora o meu desconhecimento ainda me fizesse hesitar e recear entrar num qualquer buraco que pudesse existir pelo caminho. Não os há, e apenas nas curvas mais apertadas do rio se tinha de ter cuidado para evitar zonas mais fundas.
terça-feira, junho 05, 2012
segunda-feira, junho 04, 2012
domingo, junho 03, 2012
Tesourinhos espeleológicos 2
Continuação da série ... e mais explicações sobre a sua origem.
Os videos foram colocados no YouTube pelo Rui Francisco "Loia" aka "EspiritoSolitário" no canal do seu blog "Plenitude Espeleológica" e a fonte citada é o CEAE/LPN (eu sabia que aquele chão axadrezado me fazia lembrar algo), que tem no seu CV/historial a seguinte referência:
"...
- Projecto TV. Produção de uma série de 6 episódios televisivos sob o tema genérico "Espeleologia", financiado pela Radiotelevisão Portuguesa, RTP, 1987-1988;"
Julgo não estar a cometer uma indelicadeza ao divulgá-los aqui também (mas e o for digam-me que retiro-os).
Os videos foram colocados no YouTube pelo Rui Francisco "Loia" aka "EspiritoSolitário" no canal do seu blog "Plenitude Espeleológica" e a fonte citada é o CEAE/LPN (eu sabia que aquele chão axadrezado me fazia lembrar algo), que tem no seu CV/historial a seguinte referência:
"...
- Projecto TV. Produção de uma série de 6 episódios televisivos sob o tema genérico "Espeleologia", financiado pela Radiotelevisão Portuguesa, RTP, 1987-1988;"
Julgo não estar a cometer uma indelicadeza ao divulgá-los aqui também (mas e o for digam-me que retiro-os).
sábado, junho 02, 2012
Tesourinhos ... espeleológicos
Encontrei estes vídeos aqui, e quando me apercebi melhor, estava a ver um bocado da história da espeleologia portuguesa.
Eu, é claro, não conheço ninguém, mas gostei muito de ver tanta organização em acção.
Eu, é claro, não conheço ninguém, mas gostei muito de ver tanta organização em acção.
segunda-feira, maio 28, 2012
Algar do Vale da Pena, palhinhas, cabras e um algar inexplorado para acabar o dia
Depois de uma primeira visita ao Algar do Vale da Pena ou Algar dos Ursos como também é comummente referido (Nalga, NEALC), voltamos este fim de semana com diversos objectivos em mente.
O primeiro foi terminar os levantamentos para produzir uma topografia. Apesar de insistentemente me dizerem que existe, o facto é que não a encontro. Por isso faço a minha/nossa e depois logo a comparo com a que existir e que há-de aparecer. Entre os outros devemos referir: Filmagens e fotografia; exploração da "palhinha"; observação mais cuidada da zona de deposição de areias.
| Está em forma. Dá aulas de geologia, faz topografia ... etc. |
E devemos dizer que fizemos tudo. Todos tiveram o seu quinhão de aventura e adrenalina, vivendo cada um à sua maneira a experiência de descer a este algar. A topografia ficou completa e os dados de campo irão dar origem a um "desenho" do algar, embora tenham surgido algumas dificuldades que exigem acertos pontuais.
Em todo o caso surgiram novidades e essas, pelo menos face ao conhecimento dos elementos da equipa, terão de ser novamente avaliadas e bem medidas. Salientamos os seguintes aspectos:
- Realizou-se a escalada e a descrição de uma fenda na sala dos ossos, que produziu duas salas, pequenas. A escalada fez-se em oposição vencendo um desnível de sensivelmente 5m;
- Durante a topografia, identificou-se uma chaminé, no salão central, na direcção da galeria terminal dos lagos, com duas progressões possíveis. Uma no topo de uma chaminé que exigirá algum (muito) esforço de escalada, a outra, que parece desenvolver-se horizontalmente e que implica uma escalada de 6/7m;
- Na descida da palhinha (na falta de melhor chamo-lhe assim, mas devíamos começar a encontrar nomes para estas coisas) que nos deu 41m (medição com fita métrica e com o ponto zero, 1m abaixo do topo da amarração), foi anotada uma passagem lateral (a 20m do fundo) que apesar de estreita, desemboca num poço de 2/3m de diâmetro e sem fundo visível).
- Na sala do balcão avançou-se um pouco na continuação existente na base da sala, mas a eventual progressão depende de desobstrução. No fundo existe uma forte corrente de ar.
| Sala do balcão. Note-se a inclinação. |
Isto é, se pensarmos bem, ficaram mais pontas soltas que as que levávamos antes. E tudo aponta para, pelo menos, mais uma deslocação, de gente mais expedita e experiente para explorar a continuidade encontrada na palhinha.
Por outro lado, e isso acontece com frequência quando vou para o campo, encontramos ... isso mesmo ... mais um algar.
A história conta-se depressa e é igual a tantas outras. Um pastor (com a nuance moderna de nos aparecer num Range Rover) preocupado com as suas cabras, aborda-nos para ter a certeza que não levamos nenhuma no porta-bagagens e após dois dedos de conversa, lá nos diz os buracos que conhece. Para além do que acabamos de descer, fala-nos num que o Vitor reconhece logo como sendo a Lajoeira e de um outro ali perto onde costumava entrar de gatas quando era miúdo.
| Acreditem, são 3x3m de boca ali debaixo das silvas! |
É claro que fomos à procura. E é claro que encontramos. Não um buraquito onde se entra de gatas, mas um algar com uma boca de cerca de três por três metros, completamente coberta de silvas e outra vegetação bem densa. Após uma limpeza apressada, as primeiras pedras atiradas, pequenas, ficavam ali perto e não deixavam antever uma grande vertical. No entanto, o Luís resolveu atirar um calhau, de maiores dimensões e foi um ver se te avias a ouvi-lo rebolar por ali abaixo durante um bom bocado. Temos buraco ... para visitar rapidamente. Refira-se que não existem marcas de spits, etc, etc...
ed. 29Maio. O Vitor Amendoeira diz que se deve tratar do Algar das Gralhas (original não é?) em Moita do Poço. Agora falta obter mais informação para saber se se limpa a entrada e se se efectua uma entrada.
ed. 29Maio. O Vitor Amendoeira diz que se deve tratar do Algar das Gralhas (original não é?) em Moita do Poço. Agora falta obter mais informação para saber se se limpa a entrada e se se efectua uma entrada.
ps. continua por encontrar a gruta onde o pastor dizia brincar na infância.
pps: se me arranjarem a topografia da Gruta do Vale da Pena eu digo onde é que é esta.
quinta-feira, maio 17, 2012
Algar do Vale da Pena
Mais uma saída espeleológica para visitar um Algar localizado na zona de Alcobaça. Pouca informação disponível para esta visita, sem topografia e com poucas referências escritas de exploração. Um dos elementos do grupo, repetente, serviu de guia.
Aparentemente a designação como Algar ou Gruta dos Ursos deriva da presença das ossadas e das histórias associadas. Segundo informação recebida o verdadeiro nome desta cavidade será Algar do Vale da Pena e será "uma pena" deixar cair a designação correta e mais antiga em detrimento de uma que tem a ver apenas com um aspecto particular da cavidade.
Aparentemente a designação como Algar ou Gruta dos Ursos deriva da presença das ossadas e das histórias associadas. Segundo informação recebida o verdadeiro nome desta cavidade será Algar do Vale da Pena e será "uma pena" deixar cair a designação correta e mais antiga em detrimento de uma que tem a ver apenas com um aspecto particular da cavidade.
| Entrada do Algar. Esta e as fotos que ilustram este post são da Marta Borges. |
A equipagem revelou-se algo trabalhosa já que inclui 3 fraccionamentos, o ultimo deles num tecto a definir uma vertical de descida, curta mas bem bonita. No total a extensão de corda utilizada (sem contar com os nós) medida com fita métrica foi de 30,30m. A equipagem com 3 fraccionamentos deve implicar a utilização de pelo menos 50m de corda.
O Algar do Vale da Pena revelou inúmeros motivos de interesse: muitos espeleotemas; depósitos de areias e vestígios osteológicos (as célebres ossadas de urso).
| A vertical de descida no centro da sala principal. |
A descida do poço deixa-nos no centro de uma sala, de grandes dimensões, sobre um depósito de blocos e com uma inclinação muito elevada (ver esboço de alçado). Foi na projecção da boca do algar que encontramos um exemplar de Víbora-cornuda (Vipera latastei) que tratei de "embrulhar" e no final da actividade transportar para a superfície.
A sala tem duas continuações possíveis. A da direita é a que apresenta mais potencial espeleológico, isto é, apresenta algumas hipóteses de continuação ainda mal exploradas (pelo menos com meu conhecimento). É nesta secção que surge o tubo/palhinha e uma secção com lagos que termina num túnel inundado (in Relatório de Actividades de Espeleogia. GEM. Fev, 2011) a merecer uma avaliação cuidada. [de acordo com informações adicionais do António Devile, do Nuno Rodrigues e do Sérgio Medeiros, nem o tubo nem os lagos oferecem hipóteses de continuação]
A galeria da esquerda apresenta, desde o seu inicio, um elevado número de estalactites, estalagmites, colunas e outros espeleotemas. Surpreendente pela diversidade, quantidade e integridade.
A progressão faz-se por um balcão lateral plano, que evita a descida ao ponto mais baixo onde existe um poço aparentemente sem continuidade. É na continuação desta sala que se observam os depósitos de areia. Estes depósitos estão cobertos por manto calcítico que em alguns locais, julgo até que por acção humana, começam a deixar "fugir" as areias que ficaram encapsuladas no manto.
| Entrada na sala do balcão. |
As bolsas de areias encontram-se apenas na área que une a sala do balcão da sala dos ossos. Julgo ser interessante ver que a cota mais baixa destas salas é idêntica, bem como a cota do tecto.
Parece que os depósitos de areia e a subsequente "fossilização" com a consolidação do manto calcítico acabaram por separar estas duas salas. O esvaziamento destas bolsas dá origem ao aparecimento de estruturas suspensas, abóbodas cuja superfície inferior mostra um conglomerado a merecer uma visão mais detalhada por um "experto" que não um biólogo armado em espeleólogo.
| Manto calcítico suspenso na zona das areias. |
A sala dos ossos retoma a altura que se observa na sala do balcão e apresenta também uma elevada quantidade de espeleotemas. Nesta sala são de destacar os vestígios osteológicos, já envolvidos por calcite e uma coluna de calcite alva que apresenta uma superfície cheia de micro gours de grande beleza.
Esta gruta contém valores patrimoniais únicos. As bolsas de areias (a hipótese referida pelo P. Rodrigues no relatório anterior de se tratarem de vestígios do episódio marinho que fez da encosta ocidental do maciço uma arriba marinha devia merecer uma análise mais detalhada), a sua significação e a tendência de quem visita a gruta de escavar um pouco; os vestígios osteológicos e a sua posição periclitante no percurso e logo sensíveis ao pisoteio; a integridade e diversidade dos espeleotemas observáveis e finalmente a existência de pontas soltas (é muito provável que apareçam entretanto mais informações) tornam urgentes algumas medidas de conservação.
A sinalização dos vestígios osteológicos pode evitar o seu pisoteio e a delimitação de um percurso na zona das areias pode impedir a sua crescente destruição.
| Víbora-cornuda (no exterior depois de aquecer ao sol) |
segunda-feira, maio 14, 2012
Algar dos Ursos I
Só para aguçar o apetite para o artigo mais completo que se seguirá, deixo-vos aqui algumas fotos do algar dos Ursos, de autoria do Nuno Rodrigues. Esta saida tem, teve, inúmeros aspectos a merecerem destaque.
Mais uma vez saímos de lá com a sensação que queremos voltar.
| Isto caiu tudo. Não é um caos de blocos. É um caos de estalactites e estalagmites concrecionadas. |
| One word - AMAZING - só lá estando. É a coluna mais bonita que já vi. Com uma textura em filigrana absolutamente bonita. |
| Quem terá feito tremer a coluna? |
| Como é que eu perdi este pedaço da gruta. Vêm porque quero lá voltar! |
| Não, não sou eu! É outro maluco qualquer. Podem vê-los aqui. |
sexta-feira, maio 11, 2012
Kanal GEM
Eu sei que o nome não é omais feliz. Mas GEM é Grupo de Espeleologia e Montanhismo e mais nada.
Este é o primeiro publicado. Escusam de me procurar no video que eu não participei nesta saída.
segunda-feira, abril 23, 2012
Gruta dos Morcegos, Arrábida
A Arrábida tem um encanto muito próprio. Sempre a visitei com prazer e todos os pretextos servem.
Desta vez, a possibilidade de descer no Fojo, até à base da falésia, para visitar a gruta dos Morcegos foi o catalisador para um sábado muito bem passado com o GEM.
Deixo-vos com algumas fotos e vídeos do dia.
Desta vez, a possibilidade de descer no Fojo, até à base da falésia, para visitar a gruta dos Morcegos foi o catalisador para um sábado muito bem passado com o GEM.
Deixo-vos com algumas fotos e vídeos do dia.
| Orchis papilionacea |
| A costa Este |
| Fila na corda |
| A Gruta dos Morcegos |
| Devia era ter levado o fato de mergulho. |
quarta-feira, março 21, 2012
Vida dura no campo
Participei no ultimo fim de semana em mais uma actividade de prospecção e exploração de cavidades numa das novas áreas alvo do grupo. Durinho qb, já que estes buracos, que o são apenas potencialmente, não se revelam com facilidade.
O primeiro, um pequeno algar cuja exploração está no inicio, muito obstruído, deu-me para mais de uma hora de trabalho duro. É um pequeno algar, que promete uma continuação na sua base, mas que está totalmente obstruído. Baldes de terra e pedras de dimensões razoáveis foram sendo retiradas até chegar ... a um bloco que nem que eu comesse os espinafres do Popeye de lá saía. Depois de algum tempo a dar no duro, deixei o trabalho para os restantes e saí para arejar.

Lá fora novamente, resolvi explorar as redondezas. A zona é muito bonita, com uma vegetação muito interessante e com muitos motivos de interesse. Sensivelmente 10m ao lado vejo um pinheiro derrubado e na sua base ... um buraco, grande. Nem queria acreditar.
Andei eu a tirar terra e pedras e aqui a 10m tenho uma gruta. Fiz uma exploração rápida para ver se valia a pena chamar os outros que estavam a tentar tirar o bloco que impede a continuação no primeiro buraco e de facto, valia a pena. A gruta apesar de ser conhecida (algumas estalactites partidas provam-no) tem uma continuação possível, a que nós dedicamos o resto do tempo disponível. Progredimos cerca de seis metros num meandro estreito e registamos os trabalhos como a necessitarem de continuação. Deixo aqui os meus desenhos de campo: um esboço da planta e dois perfis.
Esta gruta deve ter estado tapada durante algum tempo. Provavelmente a queda do pinheiro (na sequência de um fogo?) provocou o desabamento dos detritos que obstruíam a entrada. Vai precisar de olhos bem mais experientes que os meus para que os seus segredos sejam totalmente desvendados. Mas se eu continuar a descobrir buracos a este ritmo ...
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