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quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Al Gore

Depois de Madrid, Lisboa.
Como previsto teremos uma barrigada de preocupações e de tomada de posições da parte dos mais insuspeitos poderes deste país. Pelo menos, durante alguns dias, não se falará de outra coisa e esse é um aspecto positivo.
Não é de facto possível deixar de enfrentar a situação. É absolutamente necessário que as pessoas percebam que são parte do problema, que entendam como podem contribuir para reduzir o seu impacto (o jornal Expresso tem um mês inteirinho dedicado à causa, cheio de informações e dados da maior pertinência para a discussão e compreensão do problema - parabéns).
Mas é também de extraordinária importância, que os "policy makers" entendam que o problema é real e que a sua posição deve ser de grande responsabilidade.
Caso algum leia este post (coisa que duvido venha a acontecer) deixo aqui o link para o relatório do IPCC destinado, precisamente, aos "policy makers".

terça-feira, fevereiro 06, 2007

4 graus centígrados

É este o valor apontado no relatório do IPCC, como sendo o valor mais provável do aumento da temperatura global (que poderá em todo o caso, nas previsões mais pessimistas chegar aos 6C).

Consequências:

1. Diminuição de produção de alimentos. As secas no continente africano farão cair a produção agrícola entre 15 a 30%;

2. Inundações. O nível médio dos oceanos subirá 59cm. Países como o Bangladesh e o Vietname serão os mais afectados. As cidades costeiras ou em sistemas estuarinos serão seriamente afectadas.

3. Fusão do gelo. Metade das Tundras ficarão sob ameaça de desaparecimento. 80% dos glaciares alpinos desaparecerão na Europa.

4. Dispersão de doenças. Poderá ocorrer uma dispersão de doenças para áreas hoje não afectadas. Espera-se que mais 80 milhões de pessoas (apenas em África) fiquem expostas à malária.

5. Perda de biodiversidade: 20 a 50% das espécies terrestres ficarão ameaçadas de extinção.

6. Diminuição das reservas de água doce. Estima-se que em África e na Bacia mediterrânica, as reservas sejam reduzidas a metade.

7. Tempestades e furacões mais fortes. Estima-se que os ventos sejam 15-20% mais fortes.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Sou culpado...

O relatório divulgado hoje em Paris pelo painel de especialistas da ONU nas alterações climáticas - Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), reafirma aquilo que todos sabíamos.
Somos nós os culpados. Eu e voçê (que se dá ao trabalho de ler estas linhas), e não adianta negar as evidências.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Al Gore em Lisboa

Al Gore estará em Lisboa no dia 8 de Fevereiro numa conferência no Museu de Electricidade.

É claro que é uma grande oportunidade de trazer para cima da mesa o problema das alterações climáticas.
A este respeito, louve-se a iniciativa de juntar os funcionários do Municipio de Lisboa a visionar o filme "An inconvenient truth" de Novembro de 2006, que trouxe uma dimensão extraordinária, sobretudo mediática, à discussão sobre as alterações climáticas globais. É um pequenino passo, mas digno e de grande valor.


" Uma verdade inconveniente" surge na sequência de um relatório bomba de Sir Nicholas Stern acerca da economia das alterações climáticas "The Economics of Climatic Change" Outubro 2006, e Al Gore colocou os olhos de todos nas políticas ambientais e sobretudo apontou directamente aos políticos como "target" da mensagem (talvez estivesse a falar para dentro de casa).

Seja como for, apesar de decerto termos de conviver com a bajulação política e com inúmeros e solícitos adeptos da causa aos pulinhos em bicos de pé, é preferível isso do que não sequer falar do assunto.





O relatório de Sir Nicholas Stern pode ser retirado em pdf aqui e um comentário com a uma versão reduzida dos principais aspectos aqui;



Al Gore on stage aqui (vale a pena ver e ouvir) e toda a informação sobre a crise climática aqui

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Cai neve, cai neve, cai neve no jardim ...

Este refrão acompanha-me desde a infância. Sempre o cantei apesar de já não conhecer o resto da letra.
Não esperava era que este sonho que nos perseguia, a nós crianças alfacinhas, de natais nevados e serões à lareira, se tornasse de repente uma coisa quase comum.

Ontem, a Malveira e arredores, teve mais uma manhã diferente. A neve cobriu os campos e os telhados e permitiu um vislumbre do que é viver em climas menos temperados.
Há quem diga que a culpa é das alterações climáticas. Mas que é bonito, lá isso é.
Frio, mas muito bonito.
Ficam dois postais do ano passado aqui na Malveira.




quarta-feira, janeiro 24, 2007

Caparica vs aquecimento global

Como de costume, neste belo país à beira mar plantado, só se dá por ela quando de repente (e vejam bem que este de repente tem mais de duas décadas) o mar, esse vilão desalmado que tanto nos dá como tira, o mar dizia eu, resolve destruir os sistemas dunares da Caparica levando no seu incessante vai e vem alguns haveres.

O litoral português está em retrocesso à décadas. São inúmeras as situações de praias desaparecidas e falésias e arribas em risco e, ainda por cima, bem identificadas e claramente estudadas - "Portugal é um dos países europeus com maiores problemas de erosão costeira, com taxas médias de recuo que variam entre os 0,02 e os nove metros nalgumas zonas do litoral, segundo o último Relatório do Estado do Ambiente (2004)".

Outra opinião http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?noticia=10798.

E no entanto é preciso que a situação se torne dramática , para que as pessoas acordem para a realidade, que não é mais do que não é possível continuar a entender o litoral e a sua ocupação como se se tratasse apenas de uma parcela de território disponível sem riscos de qualquer natureza. Até porque sai caro.

E uma coisa é gastar dinheiro na conservação de vilas piscatórias em arribas e praias da costa oeste, outra é gastar dinheiro na protecção de empreendimentos turisticos e outras construções recentes colocadas em locais absurdos.

Nós gostamos do mar, gostamos da costa e gostamos de usufruir com qualidade desta riqueza. Só falta aprender com os erros e deixar quem sabe decidir (a propósito gostava tanto de ler o POOC da zona - alguém sabe se previa construções nas dunas ...).